quarta-feira, 25 de junho de 2008

Conclusões nada conclusivas.

Meu mal é este. Achar que posso controlar coisas que não têm o mínimo controle. Achar que mando no meu coração. E ignoro completamente que não depende da minha vontade se ele vai bater mais rápido ou mais devagar. Que ele dispara e quer sair pela boca quando eu vejo aquela criatura. E que eu só penso nisso e não controlo nem meus pensamentos. Juro que tento. Mas não é tão simples assim. Nunca me apaixonei por quem eu deveria me apaixonar. Sei exatamente o que eu deveria querer, mas nunca achei muita graça em fazer o que eu deveria. E, na hora que eu acho que vou fazer tudo certo, lá estou eu, de novo, dando a cara pra bater. Me jogando. Entrando em furadas e rindo dos meus próprios erros. Metendo os pés pelas mãos. Rindo pra não chorar. Chorando e começando tudo de novo.

Acho que tenho problemas mentais sérios. É isso. Já escolhi a dedo. Teve: o mais lindo; o mais inteligente; o mais bem sucedido; o mais sarado; o mais gente boa; o mais "bom moço"; o mais carinhoso; o mais fofo; o mais velho que eu; o que menos bebe; o que nunca fumou; que nunca se drogou e etc. E quem disse que eu quero algum deles agora? Quem disse que meus batimentos cardíacos aumentam – por um segundo que seja – quando eu estou com algum deles?! Quem disse que eu coloquei pra algum deles um toque especial no meu celular? Não mesmo. Meu celular tocava diferente é quando aquele infeliz ligava. Sim. Porque, pra ele, eu coloquei um toque especial, no dia seguinte. E, se meu celular tivesse luzes coloridas, sirene de ambulância, apito de trânsito, tambores do Olodum, eu colocaria todos tocando ao mesmo tempo quando ele ligasse.

Se bem que nem precisaria. Meu coração saía pela boca até quando ele ligava e meu celular estava no modo "silencioso". E eu atendia sem tomar fôlego, engasgando com o ar. Falava atropelando as palavras. Não ouvia muito bem o que ele falava, mas achava tudo lindo. Não entendia qual era o convite do dia, mas dizia que ia. Tudo no passado, porque ele não liga mais e mesmo que o meu telefone toque freqüentemente, só em não ouvir o toque dele, é desânimo total. Ultimamente até esquecer o celular em casa, eu tenho esquecido.É muito estranho. Eu agüentava e agüento até as piadas das minhas amigas. Escuto uma dizer que ele é a "visão do inferno" e ainda dou risada. Outra dizer que ele não é nada meu tipo. Não tem nenhuma das características que eu admiro num cara. É um menino que pensa que é homem. Que ele só faz bobagem, só fala bobagem. Que não presta pra nada. Minhas melhores amigas detestam ele. Acham ele grosso e vazio.

Mas ele manda no meu coração muito mais do que eu. Ele tem esse poder de me tirar o fôlego. De me deixar sem forças. De me fazer querer ele e só ele. De me fazer não querer nem o mais perfeito dos caras que eu encontrei depois dele. Ele me faz jogar pro alto todos os meus conceitos, tudo o que eu listei cuidadosamente na minha cabeça pra procurar num cara. E eu mal o conheço mas me sentia tão à vontade do lado dele. E eu podia ser eu mesma sem precisar me explicar. Sem querer controlar o futuro. Sem querer controlar minha própria vida.

Nós somos assim mesmo. Não queremos o possível. Um fala que está viciado em você, que não vai deixar você sair do MSN porque você é tudo de bom. O outro te chama pra ir com ele à festa mais badalada da cidade (e você não vai, claro). O outro pega seu telefone sem ao menos ter te beijado, te liga no dia seguinte e quer te ver no mesmo instante (e você também não vai, claro). E tem aquele bonitinho, seu ex-ficante. Que agora cismou que você é a mulher da vida dele. Ele te liga insistentemente todo final de semana, te chama pra ir ao cinema, pra ir pra num sei onde... e adivinha? Não. Você não vai. E ainda tem aquele moreno lindo. O cara quer que jantar com você. E você dá 500 desculpas, diz que não vai estar na cidade nos próximos meses e nem sabe quando volta. Ah, sem falar no pelotinha que você conheceu no carnaval. Seis meses depois, ele ainda te manda e-mails, cisma que você tem que ir conhecer todas as festas da cidade dele. Fora os dois paulistas. Fora seu vizinho gato (e comprometido). Fora aquele loiro aparentemente seu tipo que só te viu uma vez na vida, pegou seu telefone e agora acha que, por isso, você vai mudar com ele de Rio Grande. E fora o bombado da academia, aquele do cabelo espetadinho. O que está acontecendo com o mundo? Ou o problema é você? Por que, diante de inúmeras possibilidades, você não consegue simplesmente escolher? Tem alto. Baixo. Rico. Pobre. Loiro. Moreno. Sarado. Flácido. Tatuado. Careta. Médico. Advogado. Herdeiro (sim, herdeiro é a profissão dele!!!). Cabelo liso. Cabelo espetado. Caseiro. Da night. Da rave. Do sertanejo. Que mora no seu prédio. Que mora em outra cidade. Solteiro. Casado. Seu ex-ficante. Ex-namorado da sua amiga. Tem pra todos os gostos. Menos pro seu. Sabe porquê? Porque você já fez que nem eu, já escolheu e não é nenhum desses aí. Na verdade, essa não é uma escolha tão objetiva assim. Talvez não dê pra montar um modelo de cara ideal e apontar: é esse. E talvez você nunca vá conseguir reunir todas as características que você admira, num cara, em uma só pessoa. E talvez, mais importante ainda, talvez nada disso importe no final das contas. Porque você já encontrou "o cara" porque simplesmente "bateu". Foi o meu caso. Mas sei que isso é provisório. Tudo na vida é.

Isso é muito estranho porque é mais pele do que cabeça. É mais sentido do que entendimento. É viver mais e entender menos. É simplesmente ir sem se importar se é a melhor festa da cidade ou se a casa do cara é lá onde Judas perdeu as botas. É achar lindo aquela barriga mole. É achar lindo as coisas clichês que ele fala. É se tornar um pouco clichê também. Tudo acontece quando você menos espera. Pode ser o amigo do amigo do amigo. Ou aquele cara que você conhece há 15 anos e nunca havia prestado atenção nele antes. Ou aquele cara que surgiu do nada numa festa e entrou na sua vida tão aos poucos que você nem percebeu. Simplesmente acontece. Sem que a gente tenha o mínimo controle sobre a gente mesma. Sem que a gente tenha que fazer qualquer tipo de escolha. E todo o resto? Bom, todo o resto serve pra fazer você dormir e acordar acreditando que você é realmente tudo de bom. Que você tem essa capacidade de deixar alguém viciado em você. Ou que você move o mundo e faz qualquer pessoa atravessar o oceano pra te ver. Ou que você possa realmente ser a mulher da vida de alguém. Todos esses outros são aqueles caras do bem que entraram na sua vida pra fazer você acreditar em você. Pra massagear o seu ego e fazer você acreditar que realmente pode escolher alguma coisa. Mas no fundo você sabe que você não tem escolha. Pode durar um um ano, um mês, uma semana ou alguns segundos, mas vai valer a pena.





Desculpem queridos leitores, comecei escrevendo sobre uma coisa, acabei escrevendo sobre outra...Mas é assim que anda minha cabecinha, completamente confusa, cheia de pensamentos que não se encaixam. Ainda bem que vocês tem a opção de não ler o que eu escrevo né? Era isso então! Obrigada pelos comentários e elogios! Beijo a todos!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Igualdade

O texto abaixo, foi escrito e inspirado em uma amiga minha, e é em homenagem à ela que eu publico aqui! :)))
Você já ouviu várias histórias sobre "igualdade entre homens e mulheres". Pois é, é lei. Está na Constituição Federal, art. 5°, inciso I. Já ouviu também várias histórias sobre Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Fada Madrinha. Pois bem. Você quer aquele lindo. Mas acontece que você nasceu mulher, ou seja, a menos que ELE te convide pra sair, sua linda história de amor acaba aqui, nesta linha.
Não importa se você tem 21 ou 31 anos, certas coisas nunca mudam. Se você nasceu mulher, vai ter todos os homens a seus pés, mas sua sentença será bancar a desentendida sempre, para que eles pensem que ELES estão no comando. Deixar que eles tomem a iniciativa sempre (seja lá qual for o quesito). Caso contrário, você será execrada pelo resto da sua existência por estar fazendo o papel que o homem pensa que é dele.
Alguém, por favor, me explica o que é essa cultura machista que transforma a mulher na caça e o homem no caçador. Por que nós, mulheres, temos que esperar a boa vontade dos homens de convidar a gente pra sair?
Eu posso dirigir de Rio Grande ao Rio de Janeiro. Sozinha. Ir e vir de onde eu bem entender. À noite. De madrugada. Administrar minha própria casa. Pagar minhas contas. Trabalhar. Cuidar da minha própria vida. Sair de manhã e voltar à noite. Ser dona do meu próprio nariz. Mas, na hora que estou do lado de um homem, preciso me tornar um ser "indefeso", ser o que não sou de verdade. Fingir uma fragilidade que não existe. Por que os homens se assustam tanto com essa nossa independência?
O que é essa cultura machista em que o homem precisa ser mais inteligente que a mulher? Mais forte. Dirigir melhor. Mais rico. Ter mais poder. Estar no comando da empresa. Ter o poder de decidir se vai ou não te convidar pra sair. Vai ou não assumir um compromisso. Vai ou não te pedir em casamento.
Quer saber?! Essa falsa igualdade entre os sexos está cansando a minha beleza. Você é igualmente independente. Você viaja sozinha no seu próprio carro. Pilota como um homem. Troca pneu no meio da estrada. Sabe o que é uma correia do alternador. Troca lâmpada. Instala chuveiro elétrico. Conserta a descarga. Prega prego na parede. Pinta a escada. Faz leg-press com 140kg. Mas experimente agir como um homem. Beijar vários no mesmo final de semana. Fazer sexo com pessoas aleatórias. Flertar com o bonito da academia e convidá-lo pra sair. Não, não pode.
Pro inferno então com esse papo de igualdade. Vou rever meus conceitos. Parar com esse blog e fingir que não sei escrever. Que não tenho opinião formada sobre assunto nenhum. Bater meu carro por aí. Assistir Ana Maria Braga e aprender a cozinhar (tudo bem que eu sei fazer ovo cozido, mas minhas amigas dizem que isso não conta). Pintar meu cabelo de amarelo. Me tornar uma "lôra burra". Colocar 300ml de silicone em cada peito. Passar as tardes no salão de beleza. Na academia. No clube. Vou abandonar tudo e ser dondoca. Comprar um poodle e tosar o pêlo dele com aqueles pompons nos pés. Arrumar um homem velho e rico que pague minhas contas. Todas elas, por favor.
E viva a desigualdade.
E viva a hipocrisia, também.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

LIBERDADE

Como boa aquariana, eu sempre enchi a boca pra falar o quanto quero ser livre e independente. Independência eu, de certa forma, consegui provar pra mim e pra muitos que realmente queria. Mas liberdade, essa eu já não sei. Acho que depende muito do conceito de liberdade que cada um tem. Ninguém pertence a ninguém, isso é fato. Todos somos livres pra ir e vir, isso é lei. Então de que droga de liberdade eu estou falando, afinal? Calma May, é aquela liberdade consentida. Nunca me importei em manter um relacionamento, sem mudar meu estado civil no orkut. Sério. Sempre achei um máximo, ter a minha tão almejada e conquistada liberdade e ao mesmo tempo saber que não vou ficar sozinha durante e pós uma festa. No fundo eu tinha com quem contar e, ainda assim, era livre. Isso é muito cômodo, porém, como tudo na vida, chega a hora do "vai ou racha".

Cansei de colocar no MSN uma frase da Fernanda Mello que eu gosto muito: "A nossa liberdade é o que nos prende". Não por nenhuma razão específica. Simplesmente porque acredito que a liberdade pode ser realmente a única coisa que prende duas pessoas que não têm a mínima intenção de se comprometer. Ficantes, como chamamos hoje. Mas, e aí? Se essas pessoas não têm intenção de se comprometer, quando e como vai ser o fim (daquilo que nem começou)?

Você sai de casa. Coloca um scarpin novo. Veste a roupa que mais combina com seu estado de espírito. Estampa na cara seu melhor sorriso. Sua melhor maquiagem. E vai pra melhor festa da cidade. E, toda festa, as mesmas músicas tocando. As mesmas caras te olhando. Os mesmos papos rolando. A mesma boca te beijando. Os mesmos braços te segurando. O mesmo cidadão te desejando. Mas isso, por enquanto, basta. A noite-sem-dia-seguinte tá valendo pra vocês.

Mas, e aí? Até onde vai? Até onde vocês dois podem ir, brincando de usar corpos na madrugada, sem se machucarem? E, se essa liberdade que vocês têm é tão grande assim, porque estão sempre um com o outro? Por que, toda vez que vocês se encontram, vocês colam um no outro? Cadê a porra da liberdade? E a hora que vocês estiverem na mesma festa e um de vocês se interessar por outra pessoa? Cadê, de novo, a porra da liberdade que vocês têm que faria você dizer "tudo bem"? Não tem nada de "tudo bem". Você fica tensa. Seu coração dispara. Sua boca seca. Você deseja sumir. Você deseja que o cidadão suma (da sua vida, claro). Você deseja nunca ter estado ali naquela noite. Você se pergunta porque foi mesmo que essa história começou. E quando era pra ter terminado. Só que você pulou essa parte. E por que foi mesmo que você pulou a parte em que você coloca um ponto final nessa história? Ah, é. Não é tão simples assim. Como se encerra um vínculo que não existe? Por que é tão difícil colocar um ponto final? Será que é porque a porra da liberdade prende vocês? É assim mesmo que você fica. Irritada. Puta. Falando palavrão (cadê os bons modos que a dona Maria ensinou?). Você se sente no direito de tirar satisfação com o cidadão que não é nada seu. Vocês discutem. Isso mesmo. Você discute com o cidadão que – insisto – não é nada seu. Muita intimidade pra vocês (ah, só uma observação: o conceito de intimidade, hoje, é um pouco diferente. Fazer sexo no elevador com câmera, tudo bem. Discutir sobre o que incomoda... não... muita intimidade). Então, cadê a PORRA da liberdade que faria você dizer "foda-se" nessa hora? Onde, caramba, estava a liberdade quando o cidadão cismou que viu você olhar pra outro cara e saiu emburrado? Que pseudo-liberdade é essa que te prende e te deixa tão solta?

Onde, diabos, estava a droga da liberdade quando você mais precisou dela??? Você não sabe. Não quer saber. Não tem mais paciência pra ficar se perguntando. Pra ficar enchendo os textos de interrogações. Pra fazer seus leitores engolirem tantos palavrões. Os problemas assumem dimensões maiores do que deveriam ter. Se duas pessoas são livres, elas deveriam ser livres pra fazer o que bem entenderem sem se importarem uma com a outra. E por que não é assim? (Não espere uma resposta no final do texto porque eu também não sei). Por que você se importa tanto se, pra ele, tanto faz? Por que você quer alguém que só te quer quando convém? Por que tem tanta interrogação onde deveria ter um ponto de afirmação? Ou um ponto final. Ou um texto novo. Um texto com menos interrogações e mais exclamações. Uma poesia, quem sabe. E, por falar em poesia, não vou discordar de Fê Mello. Apenas coloquei uma nova frase no MSN: "A nossa liberdade é o que nos faz seguir em frente".

P.S.: A gente fica tristinha, mas acorda no dia seguinte com um corte de cabelo novo e o limite do banco estourado e tudo volta ao normal!

Ai ai, liberdade é pouco, o que eu quero, ainda não tem nome.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O homem errado?

Sempre ouvi minhas amigas dizerem que, enquanto não acharem o homem certo, vão se divertir com os errados. Andei pensando sobre isso. A gente conhece os homens certos e pensa que são os errados, conhece os errados e pensa que são os certos. No fundo, no fundo, a gente nunca sabe. Já vivi casos dos mais malucos e, acredite, não é nada fácil saber quem é o homem certo e quem é o homem errado. Eu mesma ainda não sei. O que eu sei é que eu já tenho algumas pistas bem claras. E continuo errando.
O homem certo é aquele que quer te encontrar sábado à noite. Então, ele leva a melhor pizza da cidade pra sua casa. Leva vinho – e melhor: leva taças lindas – e fica com você (lindo e cheiroso) na sua casa. O homem errado quer ir pra melhor festa da cidade no sábado à noite. Com ou sem você. De preferência, sem. Agora, se ele te encontrar (por acaso) nessa festa, ele vai jurar, de pés juntos, que estava afim de te encontrar naquela noite. Vai ver não te ligou porque acabaram todos os telefones do mundo.O homem certo telefona pra você e faz o convite: vamos fazer alguma coisa hoje à noite? Ele quer sua companhia. Liga pro seu celular às sete da noite pra garantir que você não vai arrumar nenhum programa melhor do que sair com ele.
O homem errado te liga meia-noite e pergunta onde você tá. Claro, ele saiu e viu que a noite dele não ia dar em nada, então, resolveu te ligar. Muito provavelmente, você era o último número discado no celular dele. E, mais provável ainda: se você não atender, ele disca a próxima letra da agenda.O homem certo te chama por apelidos carinhosos. Você é a Ju. A Renatinha. A May. A Carol. Ou a Mi. O homem errado evita pronunciar seu nome em qualquer que seja a situação. Por razões óbvias: ele corre um sério risco de confundir seu nome com o de alguma outra baranga que ele pega. E, pra não confundir Mayara com Maíra, ele evita pronunciar seu nome a menos que seja estritamente necessário. Quando quer falar com você, as frases começam com “ow”, “aqui” ou “véi”. Aff.
O homem certo quer te conhecer melhor. Pergunta sobre sua família, quer saber quantos irmãos tem. Quer saber dos seus valores. Do que você faz. Dos seus planos pro futuro. Dos seus objetivos na vida.
O homem errado quer saber a cor da sua calcinha.
O homem certo diz que você está bonita com aquela calça nova. Elogia seu bronzeado e pergunta se você tem tomado sol. Repara em você. Repara se você está com uma carinha triste. Se está feliz. Se está passando mal-quase-morrendo no meio da festa. Pergunta se você melhorou, no dia seguinte.
O homem errado nunca a elogia porque não repara em você. Só fala você é sarada (isso seu espelho já diz). Que você é gostosa. Gostosa o escambau!
E eu já não sei mais de nada. Se me divirto com os homens certos ou se insisto nos homens errados. E acabo procurando príncipes e beijando sapos. E beijando príncipes que viram sapos. E preferia não saber de nada disso pra continuar me divertindo e dando risada. Ainda que de mim mesma. Ainda que dos meus tropeços. Das minhas mancadas. Das escolhas erradas. E até dos homens errados. Queria rir disso tudo. Mas simplesmente não consigo. Não consigo fingir que não é comigo. Porque sou eu que me ferro por achar que o homem errado é o homem certo. Ou por dispensar o homem certo achando que era errado. Ou por fazer tudo errado. Sou eu que analiso, o tempo inteiro, as situações. As atitudes. Os mínimos detalhes que passariam despercebidos. Tentando fazer com que o homem errado pareça o homem certo. Tentando justificar, pra mim mesma, porque é que eu perco tanto tempo com aquele cidadão que não merece um minuto. Tentando achar defeitos no outro cidadão que merece a vida inteira. Tentando estabelecer rótulos do que é certo ou o que é errado ao invés de simplesmente viver sem tentar entender. Sabe de uma coisa?
Vou me divertir sozinha mesmo enquanto não me encontro.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tudo o que eu queria te dizer.

Há uma semana atrás, eu escrevi dois depoimentos pra uma pessoa, acabando com tudo, ou melhor, acabando com nada. Eles diziam sucintamente o que vou postar logo abaixo. Como eu disse, sucintamente. Na verdade, sucinta foi a resposta dele, assinando embaixo. Mas teve classe. Logo abaixo está TUDO o que eu queria dizer pra ele de verdade, ou melhor, como ele mesmo expressou "de coração".


"Entenda de uma vez por todas: eu não agüento mais fingir que não te quero. Cansei de fazer o seu jogo. De fingir que não estou nem aí. De me segurar cada vez que tenho vontade de te ligar pra falar de nada. De fingir que não te vejo toda vez que a gente se encontra por aí sem querer. Quer saber a verdade? Eu gosto de você. E, por mais que doa em mim admitir isso, acho que passou da hora de eu te dizer.
Assumo: não sei jogar. Sempre que tento, perco. Sempre que jogo, me jogo. Arrisco. Não sei falar frases pela metade. Não sei gostar pela metade. Não sei estar com alguém pela metade. E muito menos vou aceitar suas metades. Cansei de ser a sua segunda opção. De ser o seu refúgio da madrugada. Cansei de ser a carinha bonitinha que você encontra de madrugada e jura amor eterno.Posso repetir quantas vezes for preciso pra você entender: suas palavras não valem nada. É sua atitude que conta. Se amar for isso, então, vá amar outra mulher. Vá fazer outra de trouxa. Vá jurar amor eterno numa noite e ser visto com outra mulher no dia seguinte. Sinceramente, não entendo.
Se me ama, me prove. Coloque seu coração à prova. Porque eu cansei de colocar o meu. Cansei de dar a alma pra bater. Cansei de esperar por seus telefonemas. De esperar por você. De acreditar em você. Você diz que me ama mas nem ao menos me conhece. O que você sabe sobre mim? Meu nome? Meu sobrenome? Que eu gosto de chocolate? Que eu gosto de pagode e não gosto de reggae? Pouco. Você não me conhece. Não conhece meus sonhos. Não esteve no meu passado e é muito provável que não esteja no meu futuro.
Sabe de uma coisa? Eu mentia pra você quando me mostrava apenas como um corpinho legal. Tudo mentira. Aqui neste corpo, meu bem, tem uma mulher completa. A mesma mulher que te abraça e faz carinho no seu cabelo enquanto você dorme. A mesma mulher que esquenta seu corpo nas madrugadas quando seu celular só precisa discar um número. A mesma mulher que te atende prontamente de manhã, de tarde e de noite. A mesma mulher que responde todas as suas mensagens sexta-feira à noite enquanto espera, de você, um convite seu pra sair. A mesma mulher que finge o tempo todo pra você que não te quer só pra fazer o seu jogo de não-querer. A mesma mulher que se deixou levar pelo seu papo mole e agora percebe que mais mole é você. A mesma mulher que banca a durona do seu lado. A mesma mulher que nunca vai jogar com você. Queria fazer o seu jogo, só pra ver você perder."

Cartada final.

Vi na TV, recentemente, um psicólogo dizendo que a mulher demora mais pra terminar um relacionamento, mas quando faz, é porque já tentou de tudo. Já deu chance, já perdoou, já pediu pra mudar, já mudou, já fez e aconteceu e nada mudou. Já os homens têm mais facilidade em jogar tudo pro alto. Porém, na maioria das vezes, eles voltam atrás. Se isso é verdade, eu não sei, mas eu, particularmente, ando mais adepta da razão.
Nós, mulheres, somos mais tolerantes. A gente fica em casa enquanto o namorado vai beber com os amigos. A gente fica em casa enquanto ele vai jogar futebol. A gente fica em casa enquanto ele viaja a trabalho. Mas, enquanto a gente ta em casa, a cabeça pensa, dá voltas, procura uma saída. A cabeça pesa. A cabeça põe na balança os prós e os contras. Enquanto ele grita, a gente fica muda. E pensa.
Dizem que a mulher é mais emoção, mas, me desculpem. Quando decidimos algo importante na nossa vida, somos só razão. E a razão demora. Pensa. Repensa. Pesa. Calcula. Avalia. A razão dá chance. Acredita na mudança. A razão faz a gente mudar. A emoção é toda atrapalhada. A emoção sai batendo a porta. A emoção grita. Xinga. Esperneia. Faz pirraça. Chora. A emoção põe tudo a perder no momento errado. Mulher é muito assim. Emoção pura ao longo do caminho. Mas a gente sabe que, quando a decisão é séria, a coisa precisa ser pensada. E a gente não põe tudo a perder a toa. Quando damos a cartada final é porque não há mais nada a perder. A gente já olhou por todos os ângulos, já fez os cálculos de todas as probabilidades disso dar certo e concluiu que não dá. A gente vai sentir falta. O domingo à noite vai ser foda. Vai doer pensar que ele vai ser de outra. Mas tudo isso a gente já pensou antes. Nada disso vai ser mais foda do que continuar no relacionamento.

Esse texto diz exatamente TUDO. Hoje pela manhã, foi exatamente isso que eu concluí.

Tem alguma coisa errada.

Tem sim. Percebi que a minha saudade sem destinatário faz sentido. Ou não faz. Por um lado, penso que ninguém pode ter saudade do que nunca teve. Sim, eu nunca recebi flores. Não de nenhum pretendente, que eu lembre. Acho que, também, nunca fui a única de alguém. Nunca namorei. Então, tem alguma coisa errada. Por outro lado, essa saudade é real. São restos de vários alguéns que tive. Sim, já me disseram que eu era linda quando eu tava com a cara toda amassada, mas não foi a mesma pessoa que me deu presente sem ser em uma data especial. Então essa minha saudade é mixada. Isso é triste. Todo mundo tem uma grande história de amor, uns namoraram dos 15 aos 20, outros já foram casados, concubinados ou já tiveram um namoro rápido que causou um terremoto. Eu não. Não sou promíscua, não é isso. Aliás, até que sou bem comportada. Mas nunca tive alguém especial, que se destacasse na multidão. Nesse momento da minha vida, minhas últimas lembranças são de uma pessoa só. A última. Só porque ela é a última que fez meu coração estremecer. Apaixonada? Com certeza. Mas realista, já era. Na verdade, a saudade que dói mais, é a saudade do que NÃO se viveu. Calma, não estou louca. Só um pouco confusa, mas quem não é um pouco confuso? Gize-se que eu fiz esse blog, exatamente pra isso, pra escrever tudo que eu penso. E nem quero que ninguém leia, só quem já está acostumado com as minhas confusas loucuras. Mas hoje eu acordei com isso na cabeça, fiquei matutando em casa sobre esse texto. Pensei em apagar, porque me senti hipócrita. "Saudade de receber flores", peraí, foi o que eu disse, nunca recebi flores. Mas me senti aliviada, quando, em contrapartida, cheguei à conclusão de que podemos sentir saudade do que ainda não vivemos. Porque é claro que um dia vou receber flores. Eu acho. Sendo extremamente sincera, não faço questão de receber flores, nunca fiz. Usei esta expressão simbolicamente, preferiria receber bombons! Mas isso também, não vem ao caso. Nenhum pretendente meu vai ler isso mesmo. Eles não costumam ser muito cultos. Comecei escrevendo sobre uma coisa, e já estou aqui padronizando as pessoas que me relaciono. Essa sou eu. Mais tarde volto aqui e retomo o fio da meada. Eu acho. ;)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Saudade sem destinatário.

Ando sentindo uma saudade descabida. Saudade descabida porque não está cabendo em mim mesma. Não cabe em lugar algum. Transbordou. Saiu da borda. Uma saudade estranha. Uma saudade de ninguém. Uma saudade que não tem nome ou um endereço específico. Saudade de ligar pra alguém e chamar pra almoçar. Saudade de sair do trabalho seis horas da tarde e chamar pro cinema. Saudade de assistir televisão domingo à tarde debaixo do edredom. Saudade de ter com quem conversar no final do dia. E de ter alguém em quem pensar quando acordo. Saudade de poder falar que gosto (e também poder falar “não gostei”) sem precisar ensaiar antes. Saudade de sentir saudade de alguém. Saudade do cheiro do meu perfume favorito em outra pele suada. Saudade de ouvir que eu sou linda (de manhã cedo com a cara amassada). Saudade de ficar em silêncio ouvindo a respiração. Saudade de viajar sem precisar dirigir. De cantar no carro e alguém me ouvir. Saudade de ouvir o CD de músicas favoritas que eu não gosto.

Saudade de acordar com flores e de receber presentes sem nenhuma data especial. Saudade de ter uns apelidos estranhos, que não têm nada a ver com o meu nome. Saudade de fazer as pazes e abraçar mais forte. Saudade de ser a número um e não apenas mais um número. Saudade de ser entendida sem precisar me explicar. De dizer o que eu quero sem precisar falar. Saudade de ser tão igual e fazer toda a diferença. Saudade de gostar dos mesmos lugares e de bebidas tão diferentes. Saudade do calor, do cheiro, do gosto. Saudade do toque, do beijo, do carinho. Saudade com remetente e sem destinatário. Saudade sem preço, sem endereço e sem data pra expirar.

Música inspiradora.

Eis o melhor e o pior de mim.
O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular