sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Natal.

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial. Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.

Pois é.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Me rendo.

Oi. Não ando com muita inspiração pra escrever ultimamente, mas hoje li um texto, de uma das minhas cronistas favoritas e me rendo à ela.
Conta uma história que é conhecida não só por mim, como, aposto que por quem ler esse texto também. Pras minhas amigas, vou usá-lo para justificar essa minha insistência em bater na mesma tecla. Apesar de receber algumas provas de que eu não tenho uma única opção, persito, insisto e não desisto de querer aquela mesma pessoa. E quando a tenho, meu coração fica tranquilo. O que tem acontecido ultimamente, é o exato teor do texto que vou transcrever. Quando brigo, fico mais agoniado do que o normal. Nossa relação oscila entre o distante e o mais distante ainda, não sei explicar, por isso nem vou arriscar. Me puxam e gritam meu nome, me chamam de linda e dizem o quanto sou inteligente, desculpem a pretensão. Mas eu só quero uma única coisa, uma única voz, não importa o que ela diga. Pode não me chamar mais de linda, nem ressaltar a minha inteligência, mas me faz confessar todas as minhas angústias, me causa reações, provoca minha raiva mais profunda, me faz gritar, berrar, chingar e sofrer. Amar.

As contradições do amor

Martha Medeiros - Jornal O Globo
Eu estava quieta, só ouvindo. Éramos eu e mais duas amigas numa mesa de restaurante e uma delas se queixando, pela trigésima vez, do seu namoro caótico, dizendo que não sabia por que ainda estava com aquele seqüelado etc., etc. Estava planejando terminar com o cara de novo, e a gente sabia o quanto essa mulher sofria longe dele. Eu estava me divertindo diante desse relato mil vezes já escutado: adoro histórias de amor meio dramáticas. Foi então que a terceira componente da mesa, que é psicanalista, disse a frase definitiva:

- Eu, se fosse você, não terminava. Às vezes ficamos mais presas a um amor quando ele termina do que quando nos mantemos na relação.

Tacada de mestre. A partir daí, começamos a debater essa inquestionável verdade: em determinadas relações, ficamos muito mais sufocadas pela ausência do homem que amamos do que pela presença dele. Creio que vale para ambos os sexos, aliás. Um namoro ou casamento pode ser questionado dia e noite. Será que tem futuro? Será que vou segurar a barra de conviver com alguém tão diferente de mim? Será que passaremos a vida assim, às turras? Óbvio que não há respostas para essas perguntas, elas são feitas pelo simples hábito de querer adivinhar o dia de amanhã, mas a verdade é que, mesmo sem certificado de garantia, a relação prossegue, pois, além de dúvidas, existe amor e desejo. E isso ameniza tudo. Os dois estão unidos nesse céu e inferno. Até que um dia, durante uma discussão, um dos dois se altera e termina tudo. Alforria? Nem sempre. Aí é que pode começar a escravidão.

Nossa amiga queixosa, a da relação ioiô, perdia o rumo cada vez que terminava com o namorado. Aí mesmo é que não pensava em outra coisa. Só nele. Não conseguia se desvencilhar, mesmo quando tentava. Todas as suas atitudes ficavam atreladas a esse homem: queria vingar-se dele, ou fugir dele, ou atazaná-lo - cada dia uma decisão, mas todas relacionadas a ele. Só quando reatavam (e sempre reatavam) é que ela descansava um pouco desse estresse emocional e se reconciliava com ela mesma.
Eu nunca havia analisado o assunto por esse ângulo. Sempre achei que a sensação de asfixia era derivada de uma união claustrofóbica e a sensação de liberdade só era conquistada com o retorno à solteirice. Mas o amor, de fato, possui artimanhas complexas. Minha amiga finalmente terminou sua relação tumultuada e hoje está vivendo um casamento mais maduro e sereno. Aquele nosso papo foi há alguns anos, mas nunca mais esqueci essa inversão de sentimentos que explica tanta angústia e tanta neura. Por que temos urgência de abandonar um amor pelo fato de ele não ser fácil? Quem garante que sem esse amor a vida não será infinitamente mais difícil? Às vezes é melhor uma rendição que nos garanta liberdade do que fugir de um amor que não foi vivido até o fim.
Foi isso que nossa amiga psicanalista quis dizer durante o jantar: não antecipe o término do que ainda não acabou, espere a relação chegar até a rapa, e aí sim.


Enquanto isso, eu espero.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

(...)querer quem se tem.

Entre o "nada" desistente e o "tudo" eufórico, prefiro o desafio do "ainda não".

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que sinto.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca, porque metade de mim é o grito, mas a outra metade é o silêncio.
Que a música que ouço ao longe seja linda e que a pessoa que EU AMO esteja sempre amada, mesmo que distante, porque metade de mim é partir e a outra metade é SAUDADE.
Que as palavras que falo não sejam ouvidas como precee nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta numa pessoa inundada de sentimentos, porque metade de mim é o que ouço e a outra é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço, que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada, porque metade de mim é o que penso e a outra metade é o vulcão.
Que o medo da SOLIDÃO se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável, que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro de ter dado a minha face, porque metade de mim é lembrança do que fui e a outra metade...eu não sei.
Que seja preciso mais que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito, e que o teu silêncio me fale cada vez mais, porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte aponte uma resposta mesmo que eu não saiba e que ninguém atende complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer, porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção.
Que minha LOUCURA seja PERDOADA, porque metade de mim é AMOR e a outra... Também....

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sou uma mala.

Antes de começar o texto, vou ter que fazer uma observação. O google me deu um susto, achei que tivesse perdido meu blog e junto com ele, minhas memórias. Talvez até tivesse sido bom, muita coisa que está escrita aqui, já não faz mais sentido nenhum. Mas mesmo assim, eu fiquei em pânico em pensar, que muitos dos textos eu não tinha mais nos meus arquivos, muito menos na minha memória, que anda cada vez mais seletiva.
Enfim.
Quando alguém disser pra você que quer só seu lado bom, corra pra bem longe. É muito fácil gostar de alguém “perfeito”. É muito simples querer alguém só pra festa. Muito cômodo estar com alguém só na hora do bem-bom. Mas, na hora que o calo aperta, é que você conhece aquele com quem você faz planos pra vida. Você divide a mesma cama com alguém, traça roteiro de viagem, viaja, torra o dinheiro - que você não tem - indo e vindo, gasta seu tempo, sua juventude, suas forças. Você supera coisas que jamais pensou que fosse suportar. Você finge que não vê outras tantas e, lá pelas tantas, você vê que foi tudo em vão. Como que alguém que só te quer rindo, indo, dançando, bebendo, cantando, beijando, amando pode te amar de verdade? Cadê o “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza” e aquela história toda? Cadê o “até que a morte nos separe”? Não que algum dia eu tenha acreditado nisso, mas... Na minha cabecinha inocente, duas pessoas que se amam deveriam formar um casal apaixonado. Daqueles que a gente vê em filme. Com direito a corridinha na beira do mar de mãos dadas e tudo mais. Fotos no orkut inteiro, recados apaixonados. Com beijo romântico no pôr-do-sol. Na minha imaginação adolescente, o amor nunca perde o viço. Era só isso que eu pedia pra mim. Flores, frases, vinhos, praias, corações, edredons. Mas quem mandou eu acreditar nos filmes, nos livros, nos textos, nas palavras, nas promessas? Não entendo de morar junto, não entendo de casamento, não entendo de uma vida a dois, muito menos de amor. Mas o amor não deve ser só receber sem se dar. Se fosse, estaria à venda. E não está. Porque o outro lado não precisa de dinheiro pra amar. Só precisa amar de volta com a mesma intensidade. E o amor precisa de intensidade. De intenção. O amor não é querer o fácil só porque lhe convém. Talvez seja por isso que certos tipos de homens apreciam prostitutas. Amor enlatado. Descartável. Pra viagem. Só na hora que convier. Sexo sem tpm. Vapt-vupt. Au revoir. Enquanto o dinheiro der. Sem rachar conta de água, de luz, de telefone, de condomínio, de iptu e de restaurante. Sem dor de cabeça. Até que a próxima noite os separe. Na alegria, sem tristeza. Na saúde, com doença.
Se o amor tem um preço, é este: amar vinte quatro horas por dia, sete dias por semana. Amar cem por cento. Amar por inteiro. Infinito. Sem data de validade ou prazo pra expirar. Dar sem garantias de receber nada em troca. Apostar todas as suas fichas. Ser todo. Se o amor tem um preço, um jeito, uma forma, uma fórmula. Se o amor tem jeito. Eu não sei.
Quanta bobagem.
Eu não sou fácil, não me vendo, não aceito migalhas, não gosto de metades. Sou um império do bem e do mal. Sou erótica, sou neurótica. Sou boa, sou má. Sou biscoito de polvilho. Açúcar, sal, mousse de maracujá. Só não sou um brinquedinho. Que alguém joga no canto do quarto quando não quer mais brincar. Sou um pacote. Uma mala. Sou difícil de carregar.
E tenho dito.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Cansei.

Tenho preguiça das pessoas, acho que já disse isso. E to ficando com preguiça de você também. Do seu papo de e das festas que você freqüenta. Dos seus telefonemas esporádicos e quando eu menos espero. De você achar que eu sou um corpo. Já disse que sou mais do que isso, mas repito quantas vezes precisar. Já te disse que não sou estepe. Então, não me trate como segunda opção. Como uma qualquer. Não me trate como se não soubesse o que quer de mim. Dos meus abraços. Do meu carinho.
Me trate bem. Como na primeira vez que ficamos juntos. Me queira. Ou, pelo menos, me trate como se me quisesse. Me queira do seu lado. De dia ou de noite, tanto faz. Só não sou mulher de fim de noite. De me entregar pra qualquer um. Me chame de linda, mas me chame. Não me deixe esperando você ligar. Não me deixe esperando você chegar. Só venha quando quiser me encontrar.
Poupe seu esforço de fingir que sente algum carinho por mim. Prefiro as coisas bem claras. Se quer só meu corpo, tudo bem. Pegue a senha e entre na fila. Se quiser meu coração, faça por merecer. Me conquiste. Tenha mais atitudes sinceras do que palavras bonitas. Prefiro que você seja mais presente, não precisa me dar presentes. Prefiro que você seja você mesmo, assim, tolo, e que não finja ser alguém que não é. Prefiro morrer de rir com suas piadas infames do que me impressionar com seu linguajar culto.Esqueço que gosto de abdomens sarados, de braços bem definidos, de coxas de jogador de futebol. Porque, pra mim, você é muito mais do que um corpo em evidência. Muito mais do que esse seu cabelo macio. Do que essa pele lisinha. Essas mãos quentes. Essa boca gostosa. Esse olhar que me despe. Muito mais do que as marcas famosas que você veste. Do que o carro que você dirige.
Preguiça profunda dessa sua mania de achar que é o único na minha vida. Que tem exclusividade sem sequer me dar alguma garantia. Quer saber? Não me pergunte se sou só sua se não quer me ver mentir. Pergunte se te quero e não vou gaguejar. Ao contrário do que você pensa, eu sei muito bem o que quero pra mim. Quero você. Mas não aceito migalhas. Não quero o que restou de você no fim da noite. A sobra da sua carência noturna. Quero ter prioridade. Quero fazer a diferença. Quero garantia de que alguma coisa vai dar certo. Mas você faz tudo errado. Me trata como se eu fosse só mais uma na sua vida (ou talvez eu seja, realmente). Me liga quando esgotaram-se todas as suas possibilidades na noite. Mente pra mim com a cara mais deslavada. Some e aparece como quem tem a certeza de que eu ainda vou estar no mesmo lugar. Te esperando. Me procura com a certeza de que vai me encontrar. Me liga sabendo que vou te atender.
Mas, sabe de uma coisa? Cansei. Vou procurar minha turma. Vou me divertir com as bocas certas. Me deitar em outros colos. Sentir outros abraços. Você não manda mais aqui. E sabe o que mais? Ou eu sou a número um na sua vida, ou nem quero fazer parte dela.


Eu queria seguir a risca todas as atitudes que escrevo que vou tomar, é verdade que eu cansei, mas o que eu escrevi depois é balela.
Quando a gente ama, a teoria é só a teoria.

Meu lado egocêntrico.

Eu penso que estou ficando velha desde que eu tinha 15 anos de idade. Hoje, praticamente uma anciã, sinto sinais claros de envelhecimento. Não que meu espelho esteja acusando alguma coisa. Minha pele continua lisinha apesar de tanto sol e quase nenhum hidratante. Meu corpo está melhor hoje do que quando eu tinha 15, porque me acostumei a ser magérrima e não fico enchendo o saco da minha mãe, querendo engordar. Meu cabelo finalmente saiu do castanho -escuro-quase-preto para um tom que combina mais comigo. A gente vai criando certas noções com o tempo. E, talvez, esses sejam os sinais mais evidentes de que estamos envelhecendo.
Depois de muitos carnavais, acampamentos e festas com pessoas que nunca fizeram a mínima diferença na minha vida, eu comecei a só beijar pessoas que vão fazer alguma diferença. Depois de me envolver com caras bacanas e caras idiotas, caras legais e caras chatos, caras sarados e caras flácidos, comecei a perceber que o cara certo não tem um rótulo. Ele simplesmente te quer. A idade, ou a maturidade, ou o envelhecimento... ou seja lá o que for, me fez perceber que é muito adolescente esse negócio de querer quem não quer a gente. Hoje, se o cara não me quer, sinto muito. Vá se catar, ou catar outra pessoa. Sei exatamente o que quero pra mim. E, definitivamente, quero alguém que me queira.
Mas o sintoma mais grave de envelhecimento está por vir: ando fazendo compras pra casa. Isso mesmo. Já faz algum tempo que caminho pelas lojas e só me interesso por edredons, lençóis, travesseiros, conjuntos de toalhas e tapetes para banheiro. Me atraio por louças e toalhas de mesa. Que pessoa da minha idade gasta tempo e dinheiro com coisas de casa se ela não vai se casar nem está mudando de apartamento? Sim, uma pessoa que se casou com ela mesma.
Uma pessoa que herdou uma cama de casal pra dormir sozinha. Que comprou lençóis brancos e um edredom de 2,80m pra esquentar ela mesma. Uma pessoa madura o suficiente pra gostar da sua própria companhia. Uma pessoa que não ocupa o espaço sobrando na sua cama com pessoas que sobram na sua vida. Uma pessoa que também não vai ser sobra na vida de ninguém. E, sim, essa pessoa sou eu.
Envelhecer tem seu preço. Você fica muito mais exigente. Você quer lençóis 100% algodão com num sei quantas centenas de fios (entendo tudo de lençol agora!). E você não importa de pagar mais caro por isso. Você quer um cara que seja 100% seu (continuo sem entender nada de homens!). E você vai pagar o preço que for pra isso. Você exige qualidade e durabilidade. Exige material de primeira linha. Você não compra mais roupa de cama que acaba na primeira lavada. Você não tolera relacionamentos que desbotam depois da primeira noite. Você não quer tecido que tenha nem 10% de poliéster. Não quer 15 caras te ligando se nenhum deles te interessa.
Ando nessa fase de lua-de-mel com a cama nova e comigo mesma. Curtindo minha própria companhia. Mudando os móveis de lugar. Jogando fora os lençóis velhos. Dando pros outros os relacionamentos antigos que eu não quero mais. Me reciclando. Amadurecendo. Tecendo meu casulo novo pra criar asas e virar borboleta. Passando por um processo de transformação pra crescer. E o melhor disso tudo? Esse é o tipo de casamento que dura pra sempre.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Só isso.

É só um cara. Não o "denso lago de mistérios gazosos onde você mergulhou e ainda não submergiu". Nem o "sustentáculo de todos os ossos de seu corpo", tampouco "o mármore no qual está gravada a suprema razão de sua existência".
É só um cara.
E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras. Esse que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ele e você nem ligou. O mendigo, o ginecologista, o padre, o dealer. Ele estava ali o tempo todo. E ele não estava. Ele é só um deles. Vários. Uma legião. E ninguém.
É só um cara.
E não a sua vida. E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos.
Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes. Mal sabe fazer escolhas. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo. Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou. E perdeu.
Ele é só um cara.
E você já esqueceu outros caras antes!

Texto adaptado.


terça-feira, 12 de agosto de 2008

Morar comigo.

Morar sozinha é um eterno exercício de conviver com a falta das coisas. Falta comida na geladeira, falta Veja Multiuso, falta Carpex e falta gelo no congelador. Faltam coisas que a gente, simplesmente, esquece de comprar. Só que, tem dias, como as tardes de domingo, que faltam muito mais coisas do que essas que a gente simplesmente esquece de comprar. Falta a conversa com a melhor amiga de infância que não está aqui mais, falta o colo da mãe, falta o "paidrasto" instalando fios pela casa e consertando o DVD, falta a briga com a irmã mais nova, falta o conselho da irmã mais velha, falta o latido do Titilo no pátio, falta o carinho do namorado (!!!), falta aquele filme tosco com edredom no sofá da sala, com a mãe passando de uma lado para o outro.
Quem mora sozinha, às vezes, se sente a pessoa mais triste do mundo. Mas não é tristeza. É só saudade. Como já disse Miguel Falabela, "saudade é (...) não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche" e eu digo mais. É não saber o que fazer com as tardes de domingo que nunca terminam. As tardes de domingo, quando cada um está na sua casa, com sua família, com seu namorado e, você está na sua casa, com sua TV e o DVD (pirata) de Sexy on the City.
Morar sozinha é nunca ter almoço em casa. Ninguém cozinha pra uma pessoa só. Guardar o resto da comida? Nem pensar. Duraria uma eternidade na geladeira. Quem mora sozinha não pode ter nunca a geladeira cheia. Tudo estraga. Experiente comprar um queijo Minas, por exemplo. E a penca de bananas? De cada doze, você come duas e o resto joga fora. Preta.
Morar sozinha é almoçar no self-service. É ligar, às duas da tarde, para a amiga que está almoçando com os pais na churrascaria, e para uma outra, que está com o namorado na pizzaria da esquina da sua casa. E você, comendo arroz integral no self-service. É ter que fazer supermercado no sábado à noite e dar aquela "ajeitada" na casa que está de cabeça pra baixo e você não faz a mínima idéia de quem bagunçou aquilo tudo! É levar a roupa pra lavanderia segunda-feira meia noite.
É voltar pra casa sozinha, chorando, depois de terem partido seu coração às duas da manhã numa festa que você pensou que seria a festa do ano. Chorar assentada na beirada da cama, deitar e dormir. Viver sozinha é aprender a dar valor às coisas simples da vida: o cheiro de quem a gente gosta, a conversa jogada fora, a crise de riso (por um motivo que nenhuma outra pessoa no mundo acharia graça), o abraço de quem não volta mais, a tarde na beira da praia, os pés embolados debaixo do edredom, o socorro à 1h30 da manhã de terça-feira quando você não tinha forças nem pra se levantar. Morar sozinha é aprender a conviver com sua própria companhia e ter que gostar dela.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Aprendi a hora de me retirar


Dizem que os incomodados é que devem se retirar. Concordo. Se alguma coisa me incomoda, abandono o barco. Chuto o tal do balde. Ficar insistindo em uma coisa que não vai dar certo nunca foi a minha especialidade, apesar de ultimamente eu ter praticado bastante. Manter namoros estressantes, amizades interesseiras, empregos sem futuro não faz muito sentido na minha cabeça. É por isso que estou sem namorado, que tenho amizades contadas nos dedos e que ganho pouco. Desculpe minha mania de ser clichê, mas a vida é muito curta pra gente perder tempo.

Não é nada fácil me agüentar, eu sei. Sou implicante. Pouco tolerante. Sem paciência. Pirracenta. Mimada. Falo o que penso. Faço o que tenho vontade. E pior: sou adepta de uma filosofia de vida muito objetiva que eu mesma desenvolvi: "Se quer, quer. Se não quer, DIZ". Muito simples. E é assim que eu gostaria que agissem comigo. Não me quer, saia da minha vida logo. Me quer? Faça por merecer.

Não puxo saco de ninguém. Detesto que puxem meu saco também. Nunca saí com quem não queria estar comigo. Nunca fui à festa sem ser convidada. Não faço amizades por conveniência. Não sei rir se não estou achando graça. Não seguro o choro se o coração estiver apertado. Não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar. Não namoro pra falar que tenho companhia. Nunca pertenci a grupos em que as pessoas pensassem, agissem e se vestissem todas iguais. Nunca precisei me drogar pra pertencer a nenhum grupo social. Isso não sou eu.

Eu sou a guria cansada dos padrões machistas da sociedade. Sou eu a guria cansada de ver as capas de revistas com corpos de fora e imaginar se o que conta realmente é ter alguma coisa por dentro. A guria que, de tanto pensar, não dorme. De tanto não dormir, não pensa. A guria que, aos onze anos de idade, queria consertar o mundo falando só a verdade e participando de grupos de caridade. A guria que não confia nos homens, não acredita na humanidade e que ainda vai dar o que falar. Sou eu, essa estranha. Sonho que sou a Branca de Neve e acordo engasgada com a maçã.

E de tanto comer maçã podre, aprendi. Agora, jogo fora o que não presta. Ou melhor, saio eu mesma do jogo. Não faz mais sentido acreditar que a sua amiga interesseira vai ser uma pessoa melhor depois que você conversar com ela. Ou que seu namorado vai mudar aquele hábito que te incomoda porque ele te ama. Ou que seu chefe vai reconhecer seu esforço e não vai te demitir quando precisar reduzir o quadro de funcionários. Não funciona dessa forma. Por isso, saio fora antes do final do jogo se eu não estiver de acordo com as regras. Me retiro se a incomodada sou eu.O que incomoda vai estar sempre ali no mesmo lugar. Mas você não precisa estar. Mude de lugar. Mude de casa. Mude de emprego. Mude de amigo. De ficante. De namorado. De marido. Mude de atitude. Só não fique parada reclamando. Faça aulas de boxe. Aprenda a dar socos, a fazer gestos obscenos, a falar palavrão, a xingar as pessoas, a largar tudo pra trás. Aprenda a não levar a vida tão a sério. Aprenda que o stress só vai destruir seu estômago e torrar seu dinheiro em análises e remédios caros. Aprenda que as pessoas não são do jeito que você gostaria que elas fossem. Eu aprendi. Aprendi a hora de me retirar: vou embora antes do final da festa.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Igual a você, não há.

Que história é essa de amiga pela metade? Eu não gosto de metades. De gente que não sabe ser. Que não sabe a que veio. De respostas em monossílabos. "Não" e "sim" nunca foram resposta. Isso não é amizade.
Amizade de verdade tem que ter cumplicidade. Tem que ter olho no olho. Sentimento. Troca. Troca de confidências. De desabafos. Amores à parte. Esses não trocamos.

Quem é você que se diz minha amiga e eu não sei da sua vida? Que já fomos confidentes e hoje eu nem sei se está saindo com alguém. Se está feliz. Se ele te faz feliz. E eu não sei o nome do cara que está saindo com aquela que um dia se disse minha amiga sem conhecer o verdadeiro sentido da amizade. De compartilhar emoções perdidas. Conquistas. Derrotas. De compartilhar aquela noite de sexta-feira, quando ninguém te chamou pra sair e você teve que ficar em casa assistindo TV.
Quer saber? Isso não me apetece. Tenho preguiça profunda de gente que não se dá. De gente "pé atrás". De gente que é amigo nas horas vagas. Não, baby, eu quero full time. Eu quero a amiga que é toda ouvidos. Conselhos. Palavrão. Choro. Riso. Noite. Vodka. Especial de Natal do Roberto Carlos. Bacardi. Festas. Tropeços na calçada. Convites pro evento do ano. Mico do ano. Chocolate. Fila de Festa. Supermercado no meio da tarde. Assunto que não acabam mais. Telefonema sem assunto. Veraneio. Os bonitos. Os feios por toda parte. Os caras que a gente quer. Os caras que a gente não quer. Os caras que querem a gente. Os caras que não querem a gente. A GENTE.
No amor, dizem que existe essa história de "cara metade". Não sei. Nunca achei que tivesse faltando nada por aqui. Agora, não me venha com essa moda de "amiga pela metade". Não vai rolar. Também dizem que amigos são os irmãos que a gente escolheu. Pois bem. Tive a sorte de ser escolhida pela melhor amiga do mundo. Por aquela que sempre esteve do meu lado nas horas que eu mais precisei dela (e olha que não foram poucas!). Aquela que já me viu de cara inchada, maquiagem borrada por chorar, já me ouviu falar no meio da noite (nada com nexo, por sinal). Aquela figura. Essa "amiga-irmã" que eu ganhei por puro acaso, se é que existe mesmo esse tal de acaso.
Ela é essa peça... que se irrita quando erram seu nome... e quando acertam também. Como assim alguém escreve um sobrenome polonês certo? Amiga do sorriso fácil. Do coração difícil. Da amizade à distância e da amizade de mesma cama.
Amiga pra vida toda. Pra toda hora. Pra toda festa. Pra todos as vodkas baratas no Cassino. Pra toda manhã voltando da noite que ainda não tinha acabado. Pra toda praia com muita pedalada. Pra todas as vezes que a gente correu rua afora. Pra todos os pés-na-bunda que eu tomei e pra todas as vezes que meu coração disparou. Essa peste já me viu chegar em casa às 6h da manhã, sem nem saber meu nome. Foi minha cúmplice quando saí de casa.
A gente se entende. Nossa amizade ultrapassa a barreira da distância e a barreira do tempo. Ultrapassa todos aqueles malas que entraram nas nossas vidas e nos fizeram menos felizes. Nossa amizade sobreviveu aos nossos desentendimentos e se tornou mais forte.
Bom, eu to falando da minha amiga Rena, não costumo citar nomes por aqui, mas ela merece o agrado. Isso porque ela é a pessoa com o maior coração que já conheci em toda minha vida. Com a alma mais pura. Com o sentimento mais sincero. Com as palavras mais doces. A pessoa que já me levou pras festas e já me levou pra casa. Minha médica. Minha plantonista. Minha emergência. Meu socorro. Minha amiga mais linda. Mais magra. Mais sarada. Mais chique. Mais fashion. Mais poderosa. Minha inspiração. Minha companhia. Minha conselheira. Meu apoio. Meu sorriso. Meu conforto. Minha carne e unha. Minha cutícula!Meu botão. Uma pessoa de alma aberta. De princípios claros. De valores verdadeiros.Amiga que conheceu a Mayara forte querendo brigar na festa e conheceu a Mayara esmaecida com dor no peito, dor de cabeça, dor no pé... Amiga tão menina e tão madura. Tão nova e tão sábia. Tão doce e tão segura. Forte por dentro e por fora. Que me dá forças quando eu preciso e poderia bater em alguém se eu precisasse.

Rena, amiga, botão. Tu é uma pessoa especial. Pra mim e pra todas as pessoas que tiveram a sorte de te conhecer nesse mundo. Tão boa que eu nem sei se eu mereço sua amizade. Deus te colocou no meu caminho pra eu aprender a ser uma pessoa melhor a cada dia. Pra eu ver que esse mundo ainda tem jeito. Que ainda existe gente com tamanho caráter, amizade, princípios e verdades. Pra eu ver que o dicionário é pequeno pra eu achar tanto adjetivo quanto você merece. Porque você é só boa. Amo você, amiga. Você é um anjo neste mundo estranho.

Nesse dia do Amigo, quero desejar à todas minhas amigas queridas, que se dão por inteiro, um Feliz dia do AMigo, quero vocês sempre do meu lado!!!


Eu quero você do lado esquerdo do peito, porque igual a você não há...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Nostalgia

Ando meio nostálgica. Peguei umas fotos impressas (sim, aquelas das máquinas nem um pouco digitais) de quando eu tinha dez anos de idade e tinha um paquera que era dez meses mais novo que eu. De quando eu dançava o "tchan" sem nenhuma maldade e não sabia que a Xuxa já tinha feito um filme pornô, na verdade eu nem sabia o que era isso. Hoje, o paquera está casado e com filhos. E eu to aqui. Solteira. Ainda com medo de me comprometer. Ainda me envaidecendo por estar bem melhor do as amigas da minha idade que se casaram e tiveram filhos. Ainda achando que casar e ter filhos não é pra mim. Ainda achando barangos todos os vestidos de noiva, as igrejas lotadas e as frases feitas do tipo “até que a morte nos separe” (que nada mais é do que um eufemismo para “até que um de nós morra”).
Tenho saudade dos tempos de escola. Das paqueras na hora do recreio. Daquela coisa inocente de esperar os meninos saírem do colégio. Do frio na barriga quando meu paquera vinha em minha direção. Do tempo em que não existia orkut e ninguém fuçava a vida de ninguém. Do tempo em que a gente pedia pra amiga descobrir o telefone do menino mais lindo da sala. Do tempo em que não existia celular, muito menos identificador de chamada e a gente ligava pro telefone da casa dos meninos e desligava quando eles falavam alô. Do tempo em que não existia messenger e as pessoas tinham que ligar umas pras outras quando queriam se falar. Tinham que sair das suas casas se queriam se ver.
Hoje, além de a gente não ser mais adolescente, a tecnologia fodeu com a nossa vida. O identificador de chamadas do seu celular serve pra você só atender quem você quiser. O mesmo vale pro guri que só te atende quando ele quiser. O messenger, uma praga. Um troço que consegue reunir, na mesma janela: seu ex-namorado, uma meia dúzia de ex-ficantes, uns dois ou três paqueras que nunca saíram do virtual e mais uns duzentos guris e gurias que nunca te disseram um oi e te adicionaram sabe deus o porquê.
Acabou o glamour da coisa. Tudo acontece tão rápido agora que, na mesma noite que você conhece um cara, você já tem o celular dele, o messenger, o skype e já sabe da vida inteira do cidadão porque o orkut dele tem fotos de todos os lugares por onde ele esteve nos últimos tempos e recados de todas as meninas que ele pegou (ou está pegando). As pessoas não ligam mais pra casa das outras porque os relacionamentos são tão efêmeros que “ligar pra casa de alguém” passou a ser uma coisa muuuuuuuito íntima. Seu ficante não liga pra sua casa pra te chamar pra sair. Ele espera pra ver se você vai estar online na hora que ele estiver afim de falar com você e, se você estiver offline, ele chama a próxima da lista (literalmente) que estiver online. Simples assim. Acabaram as flores, os cartões de aniversário, as cartas, a monogamia. Acabou o sossego. Seu namorado interage virtualmente com a ex-namorada dele, com a vizinha da frente (com quem ele não interagiria se não existissem todos essas malditas ferramentas virtuais), com as ex-ficantes e com as futuras. Pela internet, ele avalia e escolha a mulher que vai ser delivered na casa dele. Loira ou morena. Com roupa ou pelada.
Acho que to é ficando velha (pelo menos é o que o calendário me diz). Velha e mal humorada. Tenho saudade de um tempo que não volta mais. Tenho saudade do interfone tocando. Da campainha e do telefone da minha casa. Tenho saudade da minha mãe gritando: fulano tá te esperando lá embaixo. Saudade das pessoas disponíveis ao invés de online. Saudade de alguém chegar na minha casa de ao invés de “fulano acabou de se conectar”. Saudade da vida real. De me estrepar ao invés de tomar end. De brigarem comigo ao invés de me bloquearem. De ouvir um não ao invés de me deletarem. Tão simples e a gente complica. Tão complicado e a gente simplifica.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Assim sei lá, meio passional.

Eu não preciso mais de chocolate, porque eu tem uma pessoa na minha vida que me causa o mesmo efeito. Que me dá uma sensação boa pelo corpo inteiro. Que me dá energia e que me dá gosto. Que dá gosto de olhar, de tocar, de sentir, de beijar. Ele dirige bem o carro, meu corpo e, se minha vida fosse um filme, ele poderia ser o diretor. Ou o personagem principal.Ele é meio clichê do meu lado. Ele fala que me adora. Me chama de linda. Diz que me quer pra sempre.Mas enquanto o pra sempre não chega, eu quero aproveitar cada segundo do lado dele. Eu queria não ter hora pra ir embora. Eu queria que ele não fosse embora. Eu só queria rir com ele a noite inteira. E queria que a noite inteira não tivesse fim. Pra nós falarmos besteiras. Pra jogarmos conversa fora. Pra eu falar das coisas fúteis sem parecer estúpida. Pra ele rir, porque ver o sorriso dele já me faz sorrir.A noite é sempre perfeita. Eu bebo uma ou duas doses da minha bebida favorita e rio horrores. Rio porque me divirto com ele. Rio porque ele consegue ser mais bobo que eu. Rio porque não entendo como pode ser tão gostoso estar do lado daquele cara que nada sabe sobre mim e gosta da minha companhia mesmo assim. Rio porque estou feliz com tão pouco. Estou feliz de estar ali. E queria estar ali pra sempre. Eu rio porque ele não é nada daquilo que eu imaginei pra minha vida. Mas ele me convence, sem palavras, de que é o cara perfeito pra mim. E faz com que tudo que eu vivi antes dele pareça tão morno. Faz com que os outros caras que já passaram pela minha vida pareçam tão pouco.Ele admira meu sorriso. Diz que meu corpo é lindo. Adora meu cabelo. Minhas pernas. Beija minha mão. Beija a pontinha do meu nariz. Beija meu rosto com um carinho ingênuo. Toca minha pele e faz eu me sentir uma adolescente de 15 anos. Ele me abraça e muda o ritmo da minha respiração. Porque, na verdade, ele mudou minha vida. Ele não fez nada pra isso, mas me faz a pessoa mais feliz do mundo. Eu não quero mais nada dessa vida. Quero ele. E só. Quero ele me abraçando com aquela mão macia. Com aquele corpo quente. Aqueles olhinhos brilhando do meu lado. Aquele olhar que fala sem palavras. Aquele sorriso mais do que fofo. Aquele cara que chegou e me rendeu sem o mínimo esforço. Por quem eu abandonaria todos os outros caras interessantes que me ligam sábado à noite. Deletaria do meu celular todos os números de telefone. Por quem eu largaria todas as outras propostas. Arriscaria começar tudo de novo. Ele é o cara pra quem eu olho e penso: fica na minha vida pra sempre?

[Acho que acordei meio passional hoje...]

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Foda-se!

O mundo não combina comigo. Por mais adolescente que possa soar pra quem lê, pra mim só isso faz algum sentido. Foi só essa explicação meio infantil que encontrei. Só faço as escolhas erradas, nunca acertei um número na mega-sena e não posso doar meu coração. Como só coisas engordantes e me mantenho magra porque tenho tendência a emagrecer. Escolhi seguir a carreira jurídica, mas não aceito certos tipos de crime. Acho as medidas socioeducativas inúteis e o Código penal ridículo. Acho muita coisa injusta. Meu sonho era fazer estágio no MP, quando abriu uma seleção no 2° ano sem restrição quanto ao semestre do curso, fiquei mega feliz. Fiz a prova sem muita esperança, passei. Fiz a entrevista já mais confiante e fui chamada. Hoje em dia, pra conseguir estágio no MP, basta ter QI. Sem prova...INJUSTO!
Estagiei um ano, voluntariamente, acumulei contas, mas estava fazendo o que eu gostava. Hoje em dia, ninguém mais fica tanto tempo trabalhando de graça...Com certeza, eu não pertenço a este mundo.Sempre quis ser um exemplo pras pessoas. Criei uma super-heroína que nunca existiu na vida real. Sempre procurei mostrar pras pessoas o lado bom das coisas que eu mesma nunca consegui ver. Sempre disse "vai passar" quando parecia que ia ser eterno o sofrimento e não havia sequer um raio de luz no final do túnel. Sempre passei de ano direto na época da escola. Nunca coloquei um cigarro na boca. Pago minhas contas. Cumpro minhas obrigações e exijo meus direitos. Nunca admiti que me julgassem sem me conhecer. Nunca admiti que desconfiassem do meu caráter ou da minha idoneidade. Nunca usei meu corpo pra distrair os homens. Sempre agi de boa fé. Sempre quis fazer algo na vida que justificasse minha existência estúpida.Só tenho 21 anos, mas, às vezes, acho que minha missão aqui já foi cumprida. Não há nada mais que eu possa fazer pelas pessoas, pelo mundo ou por mim mesma. Já cansei de me decepcionar faz tempo. Não que eu tenha desistido. É que não tenho mais forças. Não consigo mais dizer pras pessoas que vai dar tudo certo. Não, eu não sei se vai dar certo. Não consigo dizer "vai passar", porque eu sei que passa, mas às vezes demora muito mais tempo do que a gente agüenta e, às vezes, a gente precisa ficar boa já. Não consigo achar que é só uma fase, pois a "fase" pode ser uma vida toda. Não consigo ser otimista depois de tanto chão e tanta estrada de terra. Meus vinte e muito poucos anos já passaram e levaram com eles minha visão romântica da vida. Não sou mais aquela menina de onze anos de idade que imitava a Xuxa nas escolas públicas, cantando "Arco-íris" e pedindo pras crianças dizerem não às drogas, mesmo imaginando na minha cabeça ingênua que droga era coisa só de bandido.Hoje, sinto que eu poderia ter feito tudo diferente pra me sentir mais inteirada aqui. Poderia ter passado por cima de algumas pessoas, poderia ter deixado alguns amigos na mão, poderia não ter sido tão honesta, poderia ter mentido pra algumas pessoas, poderia ter mandado outras à merda. Hoje, percebo que, mesmo fazendo meu melhor, não sou a filha, a amiga ou a namorada dos sonhos de ninguém. Simplesmente por achar que o mundo não é do jeito que deveria ser, por não acreditar em contos-de-fadas, por não aceitar migalhas. Por achar ridículas as atitudes do tipo "todo mundo faz, eu também tenho que fazer". Gente que usa isso como uma desculpa imbecil "todo mundo faz". Por isso nunca dei certo. Porque nunca tomei as idiotices alheias como minhas. Não tenho nada a ver com "todo mundo". Não aceito a atitude de "todo mundo" e, hoje, desejo que todo mundo se dane. Hoje, vai ser assim: só eu e meu mundo.

terça-feira, 1 de julho de 2008

EU :)

Eu? Eu nunca quis ser bailarina e nem modelo. Já quis ser jogadora de futebol, ginasta e cantora. Já fiz aula de voz e violão, ginástica olímpica e toquei flauta e pistom. Sou impulsiva e precipitada, costumo sofrer por antecipação. Sou um desastre na vida doméstica.
Eu já forcei o choro, já forcei o riso. Já magoei quem amava, já me magoei amando muito. Já fui traída, já traí, mas não por vingança. Já menti, já enganei, já fui enganada. Já sofri, sofri muito, mas dei muita risada pra compensar. Aliás, estou sempre rindo e falo pelos cotovelos. Todos falam do meu sorriso e do meu jeito de falar.
Não raro, sou anti-social e desligada. Gosto de ler e de conversar, sou teimosa e altruísta demais. Hiperativa e ansiosa, faço mil coisas ao mesmo tempo e não tenho tempo pra nada. Não sei economizar nem energia. Gosto de sair e dançar a noite toda. Tenho mania de sempre querer ir embora, não importa se estou na minha casa.
Já abracei o mundo com as pernas, já deixei ele desabar na minha cabeça, já levei ele nas costas. Já tive feitos incríveis e fracassos inacreditáveis. Já perdi grandes amigos por orgulho. Já julguei mal, já fui vítima de mim mesma. Sou estressada, implicante, chata e convencida. Mas tenho um bom coração.
Já tive olhos vermelhos, de alegria e tristeza. Já passei noites sem dormir, já chorei esperando um telefonema. Já beijei por pena, já abracei por gratidão, já me apaixonei perdidamente.
Já fiz loucuras sem pensar, já pensei e me arrependi. Já pequei por excesso e por falta. Já invejei, senti raiva, fui mesquinha. Já fui vil e arrogante. Já fui perfeita em um olhar, já fui um monstro em um segundo. Já perdoei e já engoli sapos. Já fui das lágrimas às gargalhadas num piscar de olhos. Já guardei rancor. Já acreditei em amor eterno. Já fui ingênua. Já levei a culpa sem merecer, já levei honras sem merecer. Já ignorei quem amava, já me senti insignificante e já tive sonhos impossíveis.
Hoje erro bastante, me dou esse direito, são os erros que me ajudam a crescer. Já me preocupei demais com os outros, hoje só me preocupo com a felicidade deles, pois sei que a minha será reflexo. Assim espero! :)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Conclusões nada conclusivas.

Meu mal é este. Achar que posso controlar coisas que não têm o mínimo controle. Achar que mando no meu coração. E ignoro completamente que não depende da minha vontade se ele vai bater mais rápido ou mais devagar. Que ele dispara e quer sair pela boca quando eu vejo aquela criatura. E que eu só penso nisso e não controlo nem meus pensamentos. Juro que tento. Mas não é tão simples assim. Nunca me apaixonei por quem eu deveria me apaixonar. Sei exatamente o que eu deveria querer, mas nunca achei muita graça em fazer o que eu deveria. E, na hora que eu acho que vou fazer tudo certo, lá estou eu, de novo, dando a cara pra bater. Me jogando. Entrando em furadas e rindo dos meus próprios erros. Metendo os pés pelas mãos. Rindo pra não chorar. Chorando e começando tudo de novo.

Acho que tenho problemas mentais sérios. É isso. Já escolhi a dedo. Teve: o mais lindo; o mais inteligente; o mais bem sucedido; o mais sarado; o mais gente boa; o mais "bom moço"; o mais carinhoso; o mais fofo; o mais velho que eu; o que menos bebe; o que nunca fumou; que nunca se drogou e etc. E quem disse que eu quero algum deles agora? Quem disse que meus batimentos cardíacos aumentam – por um segundo que seja – quando eu estou com algum deles?! Quem disse que eu coloquei pra algum deles um toque especial no meu celular? Não mesmo. Meu celular tocava diferente é quando aquele infeliz ligava. Sim. Porque, pra ele, eu coloquei um toque especial, no dia seguinte. E, se meu celular tivesse luzes coloridas, sirene de ambulância, apito de trânsito, tambores do Olodum, eu colocaria todos tocando ao mesmo tempo quando ele ligasse.

Se bem que nem precisaria. Meu coração saía pela boca até quando ele ligava e meu celular estava no modo "silencioso". E eu atendia sem tomar fôlego, engasgando com o ar. Falava atropelando as palavras. Não ouvia muito bem o que ele falava, mas achava tudo lindo. Não entendia qual era o convite do dia, mas dizia que ia. Tudo no passado, porque ele não liga mais e mesmo que o meu telefone toque freqüentemente, só em não ouvir o toque dele, é desânimo total. Ultimamente até esquecer o celular em casa, eu tenho esquecido.É muito estranho. Eu agüentava e agüento até as piadas das minhas amigas. Escuto uma dizer que ele é a "visão do inferno" e ainda dou risada. Outra dizer que ele não é nada meu tipo. Não tem nenhuma das características que eu admiro num cara. É um menino que pensa que é homem. Que ele só faz bobagem, só fala bobagem. Que não presta pra nada. Minhas melhores amigas detestam ele. Acham ele grosso e vazio.

Mas ele manda no meu coração muito mais do que eu. Ele tem esse poder de me tirar o fôlego. De me deixar sem forças. De me fazer querer ele e só ele. De me fazer não querer nem o mais perfeito dos caras que eu encontrei depois dele. Ele me faz jogar pro alto todos os meus conceitos, tudo o que eu listei cuidadosamente na minha cabeça pra procurar num cara. E eu mal o conheço mas me sentia tão à vontade do lado dele. E eu podia ser eu mesma sem precisar me explicar. Sem querer controlar o futuro. Sem querer controlar minha própria vida.

Nós somos assim mesmo. Não queremos o possível. Um fala que está viciado em você, que não vai deixar você sair do MSN porque você é tudo de bom. O outro te chama pra ir com ele à festa mais badalada da cidade (e você não vai, claro). O outro pega seu telefone sem ao menos ter te beijado, te liga no dia seguinte e quer te ver no mesmo instante (e você também não vai, claro). E tem aquele bonitinho, seu ex-ficante. Que agora cismou que você é a mulher da vida dele. Ele te liga insistentemente todo final de semana, te chama pra ir ao cinema, pra ir pra num sei onde... e adivinha? Não. Você não vai. E ainda tem aquele moreno lindo. O cara quer que jantar com você. E você dá 500 desculpas, diz que não vai estar na cidade nos próximos meses e nem sabe quando volta. Ah, sem falar no pelotinha que você conheceu no carnaval. Seis meses depois, ele ainda te manda e-mails, cisma que você tem que ir conhecer todas as festas da cidade dele. Fora os dois paulistas. Fora seu vizinho gato (e comprometido). Fora aquele loiro aparentemente seu tipo que só te viu uma vez na vida, pegou seu telefone e agora acha que, por isso, você vai mudar com ele de Rio Grande. E fora o bombado da academia, aquele do cabelo espetadinho. O que está acontecendo com o mundo? Ou o problema é você? Por que, diante de inúmeras possibilidades, você não consegue simplesmente escolher? Tem alto. Baixo. Rico. Pobre. Loiro. Moreno. Sarado. Flácido. Tatuado. Careta. Médico. Advogado. Herdeiro (sim, herdeiro é a profissão dele!!!). Cabelo liso. Cabelo espetado. Caseiro. Da night. Da rave. Do sertanejo. Que mora no seu prédio. Que mora em outra cidade. Solteiro. Casado. Seu ex-ficante. Ex-namorado da sua amiga. Tem pra todos os gostos. Menos pro seu. Sabe porquê? Porque você já fez que nem eu, já escolheu e não é nenhum desses aí. Na verdade, essa não é uma escolha tão objetiva assim. Talvez não dê pra montar um modelo de cara ideal e apontar: é esse. E talvez você nunca vá conseguir reunir todas as características que você admira, num cara, em uma só pessoa. E talvez, mais importante ainda, talvez nada disso importe no final das contas. Porque você já encontrou "o cara" porque simplesmente "bateu". Foi o meu caso. Mas sei que isso é provisório. Tudo na vida é.

Isso é muito estranho porque é mais pele do que cabeça. É mais sentido do que entendimento. É viver mais e entender menos. É simplesmente ir sem se importar se é a melhor festa da cidade ou se a casa do cara é lá onde Judas perdeu as botas. É achar lindo aquela barriga mole. É achar lindo as coisas clichês que ele fala. É se tornar um pouco clichê também. Tudo acontece quando você menos espera. Pode ser o amigo do amigo do amigo. Ou aquele cara que você conhece há 15 anos e nunca havia prestado atenção nele antes. Ou aquele cara que surgiu do nada numa festa e entrou na sua vida tão aos poucos que você nem percebeu. Simplesmente acontece. Sem que a gente tenha o mínimo controle sobre a gente mesma. Sem que a gente tenha que fazer qualquer tipo de escolha. E todo o resto? Bom, todo o resto serve pra fazer você dormir e acordar acreditando que você é realmente tudo de bom. Que você tem essa capacidade de deixar alguém viciado em você. Ou que você move o mundo e faz qualquer pessoa atravessar o oceano pra te ver. Ou que você possa realmente ser a mulher da vida de alguém. Todos esses outros são aqueles caras do bem que entraram na sua vida pra fazer você acreditar em você. Pra massagear o seu ego e fazer você acreditar que realmente pode escolher alguma coisa. Mas no fundo você sabe que você não tem escolha. Pode durar um um ano, um mês, uma semana ou alguns segundos, mas vai valer a pena.





Desculpem queridos leitores, comecei escrevendo sobre uma coisa, acabei escrevendo sobre outra...Mas é assim que anda minha cabecinha, completamente confusa, cheia de pensamentos que não se encaixam. Ainda bem que vocês tem a opção de não ler o que eu escrevo né? Era isso então! Obrigada pelos comentários e elogios! Beijo a todos!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Igualdade

O texto abaixo, foi escrito e inspirado em uma amiga minha, e é em homenagem à ela que eu publico aqui! :)))
Você já ouviu várias histórias sobre "igualdade entre homens e mulheres". Pois é, é lei. Está na Constituição Federal, art. 5°, inciso I. Já ouviu também várias histórias sobre Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e Fada Madrinha. Pois bem. Você quer aquele lindo. Mas acontece que você nasceu mulher, ou seja, a menos que ELE te convide pra sair, sua linda história de amor acaba aqui, nesta linha.
Não importa se você tem 21 ou 31 anos, certas coisas nunca mudam. Se você nasceu mulher, vai ter todos os homens a seus pés, mas sua sentença será bancar a desentendida sempre, para que eles pensem que ELES estão no comando. Deixar que eles tomem a iniciativa sempre (seja lá qual for o quesito). Caso contrário, você será execrada pelo resto da sua existência por estar fazendo o papel que o homem pensa que é dele.
Alguém, por favor, me explica o que é essa cultura machista que transforma a mulher na caça e o homem no caçador. Por que nós, mulheres, temos que esperar a boa vontade dos homens de convidar a gente pra sair?
Eu posso dirigir de Rio Grande ao Rio de Janeiro. Sozinha. Ir e vir de onde eu bem entender. À noite. De madrugada. Administrar minha própria casa. Pagar minhas contas. Trabalhar. Cuidar da minha própria vida. Sair de manhã e voltar à noite. Ser dona do meu próprio nariz. Mas, na hora que estou do lado de um homem, preciso me tornar um ser "indefeso", ser o que não sou de verdade. Fingir uma fragilidade que não existe. Por que os homens se assustam tanto com essa nossa independência?
O que é essa cultura machista em que o homem precisa ser mais inteligente que a mulher? Mais forte. Dirigir melhor. Mais rico. Ter mais poder. Estar no comando da empresa. Ter o poder de decidir se vai ou não te convidar pra sair. Vai ou não assumir um compromisso. Vai ou não te pedir em casamento.
Quer saber?! Essa falsa igualdade entre os sexos está cansando a minha beleza. Você é igualmente independente. Você viaja sozinha no seu próprio carro. Pilota como um homem. Troca pneu no meio da estrada. Sabe o que é uma correia do alternador. Troca lâmpada. Instala chuveiro elétrico. Conserta a descarga. Prega prego na parede. Pinta a escada. Faz leg-press com 140kg. Mas experimente agir como um homem. Beijar vários no mesmo final de semana. Fazer sexo com pessoas aleatórias. Flertar com o bonito da academia e convidá-lo pra sair. Não, não pode.
Pro inferno então com esse papo de igualdade. Vou rever meus conceitos. Parar com esse blog e fingir que não sei escrever. Que não tenho opinião formada sobre assunto nenhum. Bater meu carro por aí. Assistir Ana Maria Braga e aprender a cozinhar (tudo bem que eu sei fazer ovo cozido, mas minhas amigas dizem que isso não conta). Pintar meu cabelo de amarelo. Me tornar uma "lôra burra". Colocar 300ml de silicone em cada peito. Passar as tardes no salão de beleza. Na academia. No clube. Vou abandonar tudo e ser dondoca. Comprar um poodle e tosar o pêlo dele com aqueles pompons nos pés. Arrumar um homem velho e rico que pague minhas contas. Todas elas, por favor.
E viva a desigualdade.
E viva a hipocrisia, também.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

LIBERDADE

Como boa aquariana, eu sempre enchi a boca pra falar o quanto quero ser livre e independente. Independência eu, de certa forma, consegui provar pra mim e pra muitos que realmente queria. Mas liberdade, essa eu já não sei. Acho que depende muito do conceito de liberdade que cada um tem. Ninguém pertence a ninguém, isso é fato. Todos somos livres pra ir e vir, isso é lei. Então de que droga de liberdade eu estou falando, afinal? Calma May, é aquela liberdade consentida. Nunca me importei em manter um relacionamento, sem mudar meu estado civil no orkut. Sério. Sempre achei um máximo, ter a minha tão almejada e conquistada liberdade e ao mesmo tempo saber que não vou ficar sozinha durante e pós uma festa. No fundo eu tinha com quem contar e, ainda assim, era livre. Isso é muito cômodo, porém, como tudo na vida, chega a hora do "vai ou racha".

Cansei de colocar no MSN uma frase da Fernanda Mello que eu gosto muito: "A nossa liberdade é o que nos prende". Não por nenhuma razão específica. Simplesmente porque acredito que a liberdade pode ser realmente a única coisa que prende duas pessoas que não têm a mínima intenção de se comprometer. Ficantes, como chamamos hoje. Mas, e aí? Se essas pessoas não têm intenção de se comprometer, quando e como vai ser o fim (daquilo que nem começou)?

Você sai de casa. Coloca um scarpin novo. Veste a roupa que mais combina com seu estado de espírito. Estampa na cara seu melhor sorriso. Sua melhor maquiagem. E vai pra melhor festa da cidade. E, toda festa, as mesmas músicas tocando. As mesmas caras te olhando. Os mesmos papos rolando. A mesma boca te beijando. Os mesmos braços te segurando. O mesmo cidadão te desejando. Mas isso, por enquanto, basta. A noite-sem-dia-seguinte tá valendo pra vocês.

Mas, e aí? Até onde vai? Até onde vocês dois podem ir, brincando de usar corpos na madrugada, sem se machucarem? E, se essa liberdade que vocês têm é tão grande assim, porque estão sempre um com o outro? Por que, toda vez que vocês se encontram, vocês colam um no outro? Cadê a porra da liberdade? E a hora que vocês estiverem na mesma festa e um de vocês se interessar por outra pessoa? Cadê, de novo, a porra da liberdade que vocês têm que faria você dizer "tudo bem"? Não tem nada de "tudo bem". Você fica tensa. Seu coração dispara. Sua boca seca. Você deseja sumir. Você deseja que o cidadão suma (da sua vida, claro). Você deseja nunca ter estado ali naquela noite. Você se pergunta porque foi mesmo que essa história começou. E quando era pra ter terminado. Só que você pulou essa parte. E por que foi mesmo que você pulou a parte em que você coloca um ponto final nessa história? Ah, é. Não é tão simples assim. Como se encerra um vínculo que não existe? Por que é tão difícil colocar um ponto final? Será que é porque a porra da liberdade prende vocês? É assim mesmo que você fica. Irritada. Puta. Falando palavrão (cadê os bons modos que a dona Maria ensinou?). Você se sente no direito de tirar satisfação com o cidadão que não é nada seu. Vocês discutem. Isso mesmo. Você discute com o cidadão que – insisto – não é nada seu. Muita intimidade pra vocês (ah, só uma observação: o conceito de intimidade, hoje, é um pouco diferente. Fazer sexo no elevador com câmera, tudo bem. Discutir sobre o que incomoda... não... muita intimidade). Então, cadê a PORRA da liberdade que faria você dizer "foda-se" nessa hora? Onde, caramba, estava a liberdade quando o cidadão cismou que viu você olhar pra outro cara e saiu emburrado? Que pseudo-liberdade é essa que te prende e te deixa tão solta?

Onde, diabos, estava a droga da liberdade quando você mais precisou dela??? Você não sabe. Não quer saber. Não tem mais paciência pra ficar se perguntando. Pra ficar enchendo os textos de interrogações. Pra fazer seus leitores engolirem tantos palavrões. Os problemas assumem dimensões maiores do que deveriam ter. Se duas pessoas são livres, elas deveriam ser livres pra fazer o que bem entenderem sem se importarem uma com a outra. E por que não é assim? (Não espere uma resposta no final do texto porque eu também não sei). Por que você se importa tanto se, pra ele, tanto faz? Por que você quer alguém que só te quer quando convém? Por que tem tanta interrogação onde deveria ter um ponto de afirmação? Ou um ponto final. Ou um texto novo. Um texto com menos interrogações e mais exclamações. Uma poesia, quem sabe. E, por falar em poesia, não vou discordar de Fê Mello. Apenas coloquei uma nova frase no MSN: "A nossa liberdade é o que nos faz seguir em frente".

P.S.: A gente fica tristinha, mas acorda no dia seguinte com um corte de cabelo novo e o limite do banco estourado e tudo volta ao normal!

Ai ai, liberdade é pouco, o que eu quero, ainda não tem nome.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O homem errado?

Sempre ouvi minhas amigas dizerem que, enquanto não acharem o homem certo, vão se divertir com os errados. Andei pensando sobre isso. A gente conhece os homens certos e pensa que são os errados, conhece os errados e pensa que são os certos. No fundo, no fundo, a gente nunca sabe. Já vivi casos dos mais malucos e, acredite, não é nada fácil saber quem é o homem certo e quem é o homem errado. Eu mesma ainda não sei. O que eu sei é que eu já tenho algumas pistas bem claras. E continuo errando.
O homem certo é aquele que quer te encontrar sábado à noite. Então, ele leva a melhor pizza da cidade pra sua casa. Leva vinho – e melhor: leva taças lindas – e fica com você (lindo e cheiroso) na sua casa. O homem errado quer ir pra melhor festa da cidade no sábado à noite. Com ou sem você. De preferência, sem. Agora, se ele te encontrar (por acaso) nessa festa, ele vai jurar, de pés juntos, que estava afim de te encontrar naquela noite. Vai ver não te ligou porque acabaram todos os telefones do mundo.O homem certo telefona pra você e faz o convite: vamos fazer alguma coisa hoje à noite? Ele quer sua companhia. Liga pro seu celular às sete da noite pra garantir que você não vai arrumar nenhum programa melhor do que sair com ele.
O homem errado te liga meia-noite e pergunta onde você tá. Claro, ele saiu e viu que a noite dele não ia dar em nada, então, resolveu te ligar. Muito provavelmente, você era o último número discado no celular dele. E, mais provável ainda: se você não atender, ele disca a próxima letra da agenda.O homem certo te chama por apelidos carinhosos. Você é a Ju. A Renatinha. A May. A Carol. Ou a Mi. O homem errado evita pronunciar seu nome em qualquer que seja a situação. Por razões óbvias: ele corre um sério risco de confundir seu nome com o de alguma outra baranga que ele pega. E, pra não confundir Mayara com Maíra, ele evita pronunciar seu nome a menos que seja estritamente necessário. Quando quer falar com você, as frases começam com “ow”, “aqui” ou “véi”. Aff.
O homem certo quer te conhecer melhor. Pergunta sobre sua família, quer saber quantos irmãos tem. Quer saber dos seus valores. Do que você faz. Dos seus planos pro futuro. Dos seus objetivos na vida.
O homem errado quer saber a cor da sua calcinha.
O homem certo diz que você está bonita com aquela calça nova. Elogia seu bronzeado e pergunta se você tem tomado sol. Repara em você. Repara se você está com uma carinha triste. Se está feliz. Se está passando mal-quase-morrendo no meio da festa. Pergunta se você melhorou, no dia seguinte.
O homem errado nunca a elogia porque não repara em você. Só fala você é sarada (isso seu espelho já diz). Que você é gostosa. Gostosa o escambau!
E eu já não sei mais de nada. Se me divirto com os homens certos ou se insisto nos homens errados. E acabo procurando príncipes e beijando sapos. E beijando príncipes que viram sapos. E preferia não saber de nada disso pra continuar me divertindo e dando risada. Ainda que de mim mesma. Ainda que dos meus tropeços. Das minhas mancadas. Das escolhas erradas. E até dos homens errados. Queria rir disso tudo. Mas simplesmente não consigo. Não consigo fingir que não é comigo. Porque sou eu que me ferro por achar que o homem errado é o homem certo. Ou por dispensar o homem certo achando que era errado. Ou por fazer tudo errado. Sou eu que analiso, o tempo inteiro, as situações. As atitudes. Os mínimos detalhes que passariam despercebidos. Tentando fazer com que o homem errado pareça o homem certo. Tentando justificar, pra mim mesma, porque é que eu perco tanto tempo com aquele cidadão que não merece um minuto. Tentando achar defeitos no outro cidadão que merece a vida inteira. Tentando estabelecer rótulos do que é certo ou o que é errado ao invés de simplesmente viver sem tentar entender. Sabe de uma coisa?
Vou me divertir sozinha mesmo enquanto não me encontro.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tudo o que eu queria te dizer.

Há uma semana atrás, eu escrevi dois depoimentos pra uma pessoa, acabando com tudo, ou melhor, acabando com nada. Eles diziam sucintamente o que vou postar logo abaixo. Como eu disse, sucintamente. Na verdade, sucinta foi a resposta dele, assinando embaixo. Mas teve classe. Logo abaixo está TUDO o que eu queria dizer pra ele de verdade, ou melhor, como ele mesmo expressou "de coração".


"Entenda de uma vez por todas: eu não agüento mais fingir que não te quero. Cansei de fazer o seu jogo. De fingir que não estou nem aí. De me segurar cada vez que tenho vontade de te ligar pra falar de nada. De fingir que não te vejo toda vez que a gente se encontra por aí sem querer. Quer saber a verdade? Eu gosto de você. E, por mais que doa em mim admitir isso, acho que passou da hora de eu te dizer.
Assumo: não sei jogar. Sempre que tento, perco. Sempre que jogo, me jogo. Arrisco. Não sei falar frases pela metade. Não sei gostar pela metade. Não sei estar com alguém pela metade. E muito menos vou aceitar suas metades. Cansei de ser a sua segunda opção. De ser o seu refúgio da madrugada. Cansei de ser a carinha bonitinha que você encontra de madrugada e jura amor eterno.Posso repetir quantas vezes for preciso pra você entender: suas palavras não valem nada. É sua atitude que conta. Se amar for isso, então, vá amar outra mulher. Vá fazer outra de trouxa. Vá jurar amor eterno numa noite e ser visto com outra mulher no dia seguinte. Sinceramente, não entendo.
Se me ama, me prove. Coloque seu coração à prova. Porque eu cansei de colocar o meu. Cansei de dar a alma pra bater. Cansei de esperar por seus telefonemas. De esperar por você. De acreditar em você. Você diz que me ama mas nem ao menos me conhece. O que você sabe sobre mim? Meu nome? Meu sobrenome? Que eu gosto de chocolate? Que eu gosto de pagode e não gosto de reggae? Pouco. Você não me conhece. Não conhece meus sonhos. Não esteve no meu passado e é muito provável que não esteja no meu futuro.
Sabe de uma coisa? Eu mentia pra você quando me mostrava apenas como um corpinho legal. Tudo mentira. Aqui neste corpo, meu bem, tem uma mulher completa. A mesma mulher que te abraça e faz carinho no seu cabelo enquanto você dorme. A mesma mulher que esquenta seu corpo nas madrugadas quando seu celular só precisa discar um número. A mesma mulher que te atende prontamente de manhã, de tarde e de noite. A mesma mulher que responde todas as suas mensagens sexta-feira à noite enquanto espera, de você, um convite seu pra sair. A mesma mulher que finge o tempo todo pra você que não te quer só pra fazer o seu jogo de não-querer. A mesma mulher que se deixou levar pelo seu papo mole e agora percebe que mais mole é você. A mesma mulher que banca a durona do seu lado. A mesma mulher que nunca vai jogar com você. Queria fazer o seu jogo, só pra ver você perder."

Cartada final.

Vi na TV, recentemente, um psicólogo dizendo que a mulher demora mais pra terminar um relacionamento, mas quando faz, é porque já tentou de tudo. Já deu chance, já perdoou, já pediu pra mudar, já mudou, já fez e aconteceu e nada mudou. Já os homens têm mais facilidade em jogar tudo pro alto. Porém, na maioria das vezes, eles voltam atrás. Se isso é verdade, eu não sei, mas eu, particularmente, ando mais adepta da razão.
Nós, mulheres, somos mais tolerantes. A gente fica em casa enquanto o namorado vai beber com os amigos. A gente fica em casa enquanto ele vai jogar futebol. A gente fica em casa enquanto ele viaja a trabalho. Mas, enquanto a gente ta em casa, a cabeça pensa, dá voltas, procura uma saída. A cabeça pesa. A cabeça põe na balança os prós e os contras. Enquanto ele grita, a gente fica muda. E pensa.
Dizem que a mulher é mais emoção, mas, me desculpem. Quando decidimos algo importante na nossa vida, somos só razão. E a razão demora. Pensa. Repensa. Pesa. Calcula. Avalia. A razão dá chance. Acredita na mudança. A razão faz a gente mudar. A emoção é toda atrapalhada. A emoção sai batendo a porta. A emoção grita. Xinga. Esperneia. Faz pirraça. Chora. A emoção põe tudo a perder no momento errado. Mulher é muito assim. Emoção pura ao longo do caminho. Mas a gente sabe que, quando a decisão é séria, a coisa precisa ser pensada. E a gente não põe tudo a perder a toa. Quando damos a cartada final é porque não há mais nada a perder. A gente já olhou por todos os ângulos, já fez os cálculos de todas as probabilidades disso dar certo e concluiu que não dá. A gente vai sentir falta. O domingo à noite vai ser foda. Vai doer pensar que ele vai ser de outra. Mas tudo isso a gente já pensou antes. Nada disso vai ser mais foda do que continuar no relacionamento.

Esse texto diz exatamente TUDO. Hoje pela manhã, foi exatamente isso que eu concluí.

Tem alguma coisa errada.

Tem sim. Percebi que a minha saudade sem destinatário faz sentido. Ou não faz. Por um lado, penso que ninguém pode ter saudade do que nunca teve. Sim, eu nunca recebi flores. Não de nenhum pretendente, que eu lembre. Acho que, também, nunca fui a única de alguém. Nunca namorei. Então, tem alguma coisa errada. Por outro lado, essa saudade é real. São restos de vários alguéns que tive. Sim, já me disseram que eu era linda quando eu tava com a cara toda amassada, mas não foi a mesma pessoa que me deu presente sem ser em uma data especial. Então essa minha saudade é mixada. Isso é triste. Todo mundo tem uma grande história de amor, uns namoraram dos 15 aos 20, outros já foram casados, concubinados ou já tiveram um namoro rápido que causou um terremoto. Eu não. Não sou promíscua, não é isso. Aliás, até que sou bem comportada. Mas nunca tive alguém especial, que se destacasse na multidão. Nesse momento da minha vida, minhas últimas lembranças são de uma pessoa só. A última. Só porque ela é a última que fez meu coração estremecer. Apaixonada? Com certeza. Mas realista, já era. Na verdade, a saudade que dói mais, é a saudade do que NÃO se viveu. Calma, não estou louca. Só um pouco confusa, mas quem não é um pouco confuso? Gize-se que eu fiz esse blog, exatamente pra isso, pra escrever tudo que eu penso. E nem quero que ninguém leia, só quem já está acostumado com as minhas confusas loucuras. Mas hoje eu acordei com isso na cabeça, fiquei matutando em casa sobre esse texto. Pensei em apagar, porque me senti hipócrita. "Saudade de receber flores", peraí, foi o que eu disse, nunca recebi flores. Mas me senti aliviada, quando, em contrapartida, cheguei à conclusão de que podemos sentir saudade do que ainda não vivemos. Porque é claro que um dia vou receber flores. Eu acho. Sendo extremamente sincera, não faço questão de receber flores, nunca fiz. Usei esta expressão simbolicamente, preferiria receber bombons! Mas isso também, não vem ao caso. Nenhum pretendente meu vai ler isso mesmo. Eles não costumam ser muito cultos. Comecei escrevendo sobre uma coisa, e já estou aqui padronizando as pessoas que me relaciono. Essa sou eu. Mais tarde volto aqui e retomo o fio da meada. Eu acho. ;)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Saudade sem destinatário.

Ando sentindo uma saudade descabida. Saudade descabida porque não está cabendo em mim mesma. Não cabe em lugar algum. Transbordou. Saiu da borda. Uma saudade estranha. Uma saudade de ninguém. Uma saudade que não tem nome ou um endereço específico. Saudade de ligar pra alguém e chamar pra almoçar. Saudade de sair do trabalho seis horas da tarde e chamar pro cinema. Saudade de assistir televisão domingo à tarde debaixo do edredom. Saudade de ter com quem conversar no final do dia. E de ter alguém em quem pensar quando acordo. Saudade de poder falar que gosto (e também poder falar “não gostei”) sem precisar ensaiar antes. Saudade de sentir saudade de alguém. Saudade do cheiro do meu perfume favorito em outra pele suada. Saudade de ouvir que eu sou linda (de manhã cedo com a cara amassada). Saudade de ficar em silêncio ouvindo a respiração. Saudade de viajar sem precisar dirigir. De cantar no carro e alguém me ouvir. Saudade de ouvir o CD de músicas favoritas que eu não gosto.

Saudade de acordar com flores e de receber presentes sem nenhuma data especial. Saudade de ter uns apelidos estranhos, que não têm nada a ver com o meu nome. Saudade de fazer as pazes e abraçar mais forte. Saudade de ser a número um e não apenas mais um número. Saudade de ser entendida sem precisar me explicar. De dizer o que eu quero sem precisar falar. Saudade de ser tão igual e fazer toda a diferença. Saudade de gostar dos mesmos lugares e de bebidas tão diferentes. Saudade do calor, do cheiro, do gosto. Saudade do toque, do beijo, do carinho. Saudade com remetente e sem destinatário. Saudade sem preço, sem endereço e sem data pra expirar.

Música inspiradora.

Eis o melhor e o pior de mim.
O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular