Como boa aquariana, eu sempre enchi a boca pra falar o quanto quero ser livre e independente. Independência eu, de certa forma, consegui provar pra mim e pra muitos que realmente queria. Mas liberdade, essa eu já não sei. Acho que depende muito do conceito de liberdade que cada um tem. Ninguém pertence a ninguém, isso é fato. Todos somos livres pra ir e vir, isso é lei. Então de que droga de liberdade eu estou falando, afinal? Calma May, é aquela liberdade consentida. Nunca me importei em manter um relacionamento, sem mudar meu estado civil no orkut. Sério. Sempre achei um máximo, ter a minha tão almejada e conquistada liberdade e ao mesmo tempo saber que não vou ficar sozinha durante e pós uma festa. No fundo eu tinha com quem contar e, ainda assim, era livre. Isso é muito cômodo, porém, como tudo na vida, chega a hora do "vai ou racha".
Cansei de colocar no MSN uma frase da Fernanda Mello que eu gosto muito: "A nossa liberdade é o que nos prende". Não por nenhuma razão específica. Simplesmente porque acredito que a liberdade pode ser realmente a única coisa que prende duas pessoas que não têm a mínima intenção de se comprometer. Ficantes, como chamamos hoje. Mas, e aí? Se essas pessoas não têm intenção de se comprometer, quando e como vai ser o fim (daquilo que nem começou)?
Você sai de casa. Coloca um scarpin novo. Veste a roupa que mais combina com seu estado de espírito. Estampa na cara seu melhor sorriso. Sua melhor maquiagem. E vai pra melhor festa da cidade. E, toda festa, as mesmas músicas tocando. As mesmas caras te olhando. Os mesmos papos rolando. A mesma boca te beijando. Os mesmos braços te segurando. O mesmo cidadão te desejando. Mas isso, por enquanto, basta. A noite-sem-dia-seguinte tá valendo pra vocês.
Mas, e aí? Até onde vai? Até onde vocês dois podem ir, brincando de usar corpos na madrugada, sem se machucarem? E, se essa liberdade que vocês têm é tão grande assim, porque estão sempre um com o outro? Por que, toda vez que vocês se encontram, vocês colam um no outro? Cadê a porra da liberdade? E a hora que vocês estiverem na mesma festa e um de vocês se interessar por outra pessoa? Cadê, de novo, a porra da liberdade que vocês têm que faria você dizer "tudo bem"? Não tem nada de "tudo bem". Você fica tensa. Seu coração dispara. Sua boca seca. Você deseja sumir. Você deseja que o cidadão suma (da sua vida, claro). Você deseja nunca ter estado ali naquela noite. Você se pergunta porque foi mesmo que essa história começou. E quando era pra ter terminado. Só que você pulou essa parte. E por que foi mesmo que você pulou a parte em que você coloca um ponto final nessa história? Ah, é. Não é tão simples assim. Como se encerra um vínculo que não existe? Por que é tão difícil colocar um ponto final? Será que é porque a porra da liberdade prende vocês? É assim mesmo que você fica. Irritada. Puta. Falando palavrão (cadê os bons modos que a dona Maria ensinou?). Você se sente no direito de tirar satisfação com o cidadão que não é nada seu. Vocês discutem. Isso mesmo. Você discute com o cidadão que – insisto – não é nada seu. Muita intimidade pra vocês (ah, só uma observação: o conceito de intimidade, hoje, é um pouco diferente. Fazer sexo no elevador com câmera, tudo bem. Discutir sobre o que incomoda... não... muita intimidade). Então, cadê a PORRA da liberdade que faria você dizer "foda-se" nessa hora? Onde, caramba, estava a liberdade quando o cidadão cismou que viu você olhar pra outro cara e saiu emburrado? Que pseudo-liberdade é essa que te prende e te deixa tão solta?
Onde, diabos, estava a droga da liberdade quando você mais precisou dela??? Você não sabe. Não quer saber. Não tem mais paciência pra ficar se perguntando. Pra ficar enchendo os textos de interrogações. Pra fazer seus leitores engolirem tantos palavrões. Os problemas assumem dimensões maiores do que deveriam ter. Se duas pessoas são livres, elas deveriam ser livres pra fazer o que bem entenderem sem se importarem uma com a outra. E por que não é assim? (Não espere uma resposta no final do texto porque eu também não sei). Por que você se importa tanto se, pra ele, tanto faz? Por que você quer alguém que só te quer quando convém? Por que tem tanta interrogação onde deveria ter um ponto de afirmação? Ou um ponto final. Ou um texto novo. Um texto com menos interrogações e mais exclamações. Uma poesia, quem sabe. E, por falar em poesia, não vou discordar de Fê Mello. Apenas coloquei uma nova frase no MSN: "A nossa liberdade é o que nos faz seguir em frente".
P.S.: A gente fica tristinha, mas acorda no dia seguinte com um corte de cabelo novo e o limite do banco estourado e tudo volta ao normal!
Ai ai, liberdade é pouco, o que eu quero, ainda não tem nome.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
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3 comentários:
"o que eu quero, ainda não tem nome."
gostei!!!
soh pra n perder o habitooo
assim tu relê
ushaushauhsa
bjooooo
Tu é aquariana... isso agora me explica muita coisa... auhahiuahiuahua
Liberdade... é poder ser feliz como se é ;)
e tu que sempre foi meu modelo de ser livre, alem da liberdade material, eu sempre quis ter um pouco dessa tua liberdade sentimental, engano meu quando pensava que, no meu jeitinho esquisito, sofria mais...
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